GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Líderes do governo admitem 'excessos' de Bolsonaro, mas amenizam reações a desfile bélico

Ricardo Barros (Progressistas-PR), foi o único das três lideranças governistas que esteve ao lado do presidente no alto da rampa do Palácio do Planalto, acompanhando o ato

Vinicius Valfré e Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 17h32

BRASÍLIA - Os líderes do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), tentaram amenizar as reações ao desfile de blindados que ocorreu nesta terça-feira, 10, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Mesmo assim, os dois admitiram excessos nos discursos que o presidente Jair Bolsonaro tem feito nas últimas semanas.

Líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes afirmou ao Estadão que a imprensa “exagerou” ao fazer a cobertura do desfile bélico e afastou qualquer interpretação que seja uma tentativa de golpe por parte de Bolsonaro ou uma provocação às instituições. "Significa o quê? Nada, absolutamente nada. Nenhum militar saiu do lugar. Ele está prestigiando uma movimentação do Exército, que ele tem apreço e está investindo", afirmou.

Gomes reconheceu, no entanto, que há um clima de radicalismo e que Bolsonaro poderia agir em um tom mais conciliatório. "Está todo mundo muito doido. Estou falando não só da imprensa, dele (Bolsonaro) também", disse o senador. "Se ele der uma declaração dizendo 'Isso não tem nada a ver, decidi esse ano prestigiar (o ato militar) porque a gente tem um maior número de equipamentos, para valorizar o trabalho que está sendo feito', não ia parecer uma conversa dessas", disse.

O senador Fernando Bezerra, por sua vez, evitou adotar uma posição clara sobre o tema. Em sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta terça-feira, 10, Bezerra deu declarações que  sinalizam a não concordância com a escalada de radicalismos de Bolsonaro, apesar de ver exagero em algumas reações da oposição.

"É evidente que eu quero compartilhar as preocupações de todos que aqui reverberaram. Apenas, digamos assim, querendo retirar os excessos das falas que foram feitas", afirmou Bezerra sobre as críticas de senadores da CPI à passagem do comboio de blindados pelos arredores do Congresso justamente no dia da análise da proposta do voto impresso na Câmara. "O nosso papel, como membros do Congresso, é criar e apostar num ambiente de diálogo para que a gente possa pular essa situação de radicalização, de polarização excessiva, que não atende aos interesses nacionais."

O líder do governo pregou otimismo e avaliou que os momentos de radicalização serão superados. "Eu prefiro acreditar que nós vamos superar esses momentos de maior tensão, apostando e reforçando o nosso compromisso com o sistema democrático brasileiro".

Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara, foi o único dos três líderes governistas que esteve ao lado de Bolsonaro no alto da rampa do Palácio do Planalto, acompanhando o ato. Nas redes sociais, o deputado registrou o momento em que os blindados passaram pela Esplanada.

O ato ocorreu no mesmo dia em que a Câmara analisa a proposta do voto impresso. Batizado de Operação Formosa, o deslocamento dos equipamentos militares acontece todo ano e tem um trajeto que vai do Rio à cidade goiana de Formosa.

Foi a primeira vez, no entanto, que os tanques passaram pela Esplanada dos Ministérios. Também foi a primeira vez que Bolsonaro recebeu em mãos, em cerimônia aberta, o convite para participar da demonstração militar em Formosa. O presidente sempre é convidado, mas de forma mais protocolar e discreta.

O texto do voto impresso tem sido objeto de uma crise institucional provocada por Bolsonaro, que ataca o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente tem dito que não aceitará o resultado das eleições de 2022 sem mudanças na urna eletrônica. Ao que tudo indica, no entanto, a proposta deve ser derrotada nesta terça-feira, 10.

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