Líderes do DEM descartam Kassab como vice de Alckmin em SP

Em reunião nesta manhã, principais figuras do partido fizeram questão de ressaltar desejo de aliança com PSDB

Anne Warth, da AE

22 de janeiro de 2008 | 17h51

Os principais líderes do Democratas (DEM) reforçaram o apoio do partido às pretensões políticas do prefeito atual prefeito Gilberto Kassab, que deseja disputar a reeleição da capital paulista, e descartaram qualquer possibilidade de que Kassab saia como vice de uma chapa encabeçada pelo ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Em reunião realizada nesta manhã em São Paulo, embora tenham negado discussões a respeito da provável candidatura de Kassab à reeleição, os líderes fizeram questão de ressaltar o desejo de manter a aliança com o PSDB com vistas à eleição presidencial de 2010. O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, foi um dos maiores entusiastas da candidatura de Kassab - disse, inclusive, que os cariocas têm enviado e-mails sugerindo a adoção de medidas aplicadas pelo prefeito em São Paulo também no Rio. "Prefeito, por que você não melhora a conservação da cidade como faz o prefeito de São Paulo? Vamos fazer a conurbação e ele vai ser o candidato a prefeito de Rio e São Paulo", brincou. Para César Maia, não há dúvidas de que a candidatura de Kassab se sustenta. "Se vocês acompanharem a curva de crescimento dele, tanto em matéria de avaliação quanto de intenção de voto, é um crescimento sustentado", disse ele, citando que a mesma opinião é compartilhado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Alto Risco Ele avalia que uma eventual candidatura de Alckmin para a Prefeitura de São Paulo seria de alto risco. "O eleitor médio sempre faz um raciocínio prático: como uma pessoa que chegou a uma posição tão alta vai ter motivação para estar numa posição menor?", questionou. "Do outro lado, há um prefeito que, unanimemente, todos entendem e acham que tem feito uma excelente Prefeitura, que cresce, ascende, já se aproxima da Marta no primeiro turno e que a vence no segundo turno. Será que vale a pena correr esse risco?", acrescentou. O prefeito do Rio garante que Kassab respeitaria uma negociação entre PSDB e DEM para que Alckmin abrisse mão da Prefeitura de São Paulo em 2008 e aguardasse a eleição para o governo de São Paulo em 2010. "A candidatura dele para governador é nomeação, não é eleição. Não há adversários para o Alckmin em 2010. Então, vale a pena antecipar isso, principalmente conhecendo o prefeito Kassab em relação à sua história e trajetória de cumprimento dos compromissos?", avaliou. "O que nós queremos, principalmente reconhecendo a força e hegemonia do PSDB no Estado de São Paulo, é garantir a permanência dessa hegemonia, e fazer uma chapa vitoriosa, que é Kassab hoje e Alckmin amanhã. A taxa de risco que vale a pena é ganhar as duas eleições", analisou. O deputado Rodrigo Maia (RJ), atual presidente nacional do DEM, disse que o partido pretende manter a aliança com o PSDB em São Paulo e ressaltou que ainda é cedo para que as discussões entre os partidos sejam encerradas. "A aliança virá se todos entenderem que é o melhor caminho para os dois partidos e para a cidade de São Paulo. Nossa vontade é que a aliança permaneça", disse. Derrotar o PT "Alckmin é sempre um nome que tem de ser respeitado. É isso que estamos fazendo, dialogando com ele, com o partido dele, para que a gente possa mostrar que essa aliança fortalece a oposição e o nosso projeto de derrotar o PT nas eleições de 2010", acrescentou. Antes da reunião, o deputado ressaltou que já em maio Kassab deve ultrapassar Alckmin nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo. "Acho que a candidatura de Kassab é forte. Quando chegar em maio, eu não tenho duvidas de que ele continuará trazendo votos para o nosso lado e estará na frente do ex-governador Geraldo Alckmin. Acredito que ele sairá com o PSDB", declarou, ressaltando que o DEM não vai fugir da disputa com seu tradicional aliado. "Não temos problema de ir para a disputa. Só achamos que uma divisão agora pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e, depois, na sucessão do presidente Lula." O presidente nacional do DEM descartou qualquer possibilidade de Kassab sair em uma chapa encabeçada por Alckmin. "Não pode. O prefeito Kassab ou será candidato ou não será candidato. Para ser vice, ele teria que renunciar à Prefeitura, e não é correto quem está na Prefeitura renunciar. Se ele renunciar, assume de fato que um outro nome tem mais condições de administrar São Paulo que ele, e não tem. Talvez tenha a mesma condição, a mesma qualidade, mas mais condições e qualidades que o prefeito de São Paulo certamente nenhum dos outros candidatos têm", destacou. Kassab foi o único que não falou abertamente sobre o assunto. Ele disse que os líderes do DEM se reuniram para discutir a conjuntura nacional e evitou polemizar sobre a disputa na capital paulista. "A partir de agora, (a discussão é) dentro das instâncias partidárias, e isso começa no âmbito municipal. Estamos procurando com muito cuidado travar entendimentos internamente no partido para que depois possamos, entre os aliados, definir o rumo do partido em São Paulo", disse. "Volto a ratificar que uma das nossas prioridades aqui em São Paulo é a manutenção da aliança, uma aliança que vai muito bem." Kassab disse que sua eventual candidatura não será um entrave para a aliança entre PSDB e DEM, mas admitiu que deseja continuar na Prefeitura de São Paulo. "Jamais algo que é natural, que é uma candidatura à reeleição da minha parte, será colocada como um entrave à manutenção da aliança", afirmou. "Eu me sentiria muito feliz se as circunstâncias permitissem uma eventual candidatura à reeleição, mas jamais será essa vontade pessoal que irá prevalecer nos entendimentos de uma aliança", finalizou. Também participaram da reunião do Conselho Político do DEM nesta manhã o ex-senador e presidente nacional do partido Jorge Bornhausen, o ex-senador José Jorge (PE), os senadores Agripino Maia (RN) e Heráclito Fortes (PI), o deputado Ônix Lorenzoni (RS) e o ex-governador da Bahia Paulo Souto.

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