ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Líderes do Centrão chamam de 'idiotice' e 'absurdo' declarações de ministro da Transparência

Torquato Jardim disse que grupo de 300 deputados foi montado 'em nome da corrupção e da safadeza'

Igor Gadelha / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2016 | 20h03

Líderes do chamado “centrão” da Câmara dos Deputados reagiram com indignação nesta sexta-feira às declarações do novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim. Em entrevista concedida em 18 de maio, em Teresina (PI), o ministro afirmou que o centrão, formado por cerca de 300 deputados de 13 partidos, foi montado “em nome da corrupção e da safadeza”. 

“Prefiro ficar calado do que responder idiotice. Idiotice não se responde”, afirmou o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), um dos principais articuladores do centrão. Para o parlamentar goiano, o novo ministro tem o dever de explicar sua declaração. “Temos certeza que fazemos política da melhor qualidade, centrada na responsabilidade ética e democrática”, disse. 

Para o líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF), a declaração do novo ministro da Transparência é um “absurdo”. “Trata-se de uma acusação gravíssima que, caso tenha ocorrido, ele precisará provar o que disse”, afirmou. O parlamentar disse que irá entrar em contato com os outros líderes do centrão para tirar uma posição conjunta “desse absurdo”. 

Assim como Rosso e Jovair, outros líderes do centrão reagiram com surpresa à declaração de Jardim e pediram um tempo para se pronunciarem oficialmente. Em reservado, contudo, já avaliam que o novo ministro da Transparência não tem condições de permanecer no cargo, que assumiu nessa quinta-feira, 2. Eles dizem não poder defender ainda publicamente enquanto não tirarem uma posição oficial.

Caso Jardim seja demitido, será o segundo titular do mesmo ministério a sair do governo em uma semana. Na última segunda-feira, 30, Fabiano Silveira pediu demissão do cargo de ministro da Transparência, após divulgação de áudio em que orienta o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a como agir em relação às investigações da Operação Lava Jato.

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