Líderes dizem que CPI pode atrapalhar votação do PAC

Os líderes do governo no Senado, Romero Jucá, e na Câmara, José Múcio, deixaram o Planalto, onde se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro-chefe das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, dizendo que o governo não vai interferir no processo de instalação da CPI do Apagão Aéreo, alegando que este é um problema do Congresso. Ambos repetiram o mesmo discurso com as mesmas palavras, de que "nenhum governo gosta de CPI" e que "elas atrapalham as votações". Segundo Múcio, Lula teria dito não temer a instalação de uma CPI para investigar a crise no setor aéreo. "Não temo CPI, não tenho o menor problema com CPI. Esta é uma questão do Parlamento", disse o presidente, de acordo com o líder governista. "A preocupação do presidente Lula é com a quebra da normalidade no Congresso Nacional", disse o senador Romero Jucá. Segundo ele, "o presidente também não quer CPI porque atrapalha a votação do PAC (Programa de Aceleração da Economia)". Ele ressaltou que "qualquer governo não quer CPI, seja ele governo federal, municipal ou estadual, nem em São Paulo, nem em Minas" querem CPI porque "CPI é um fato estranho". O PAC, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 22 de janeiro deste ano, prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 em infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento. O objetivo é destravar a economia e garantir a meta de crescimento de 5%. Por enquanto, o programa aguarda aprovação de medidas no Congresso.Jucá disse ainda que o governo não vai interferir de alguma forma, nem vai fazer nenhum tipo de manobra para evitar que a comissão se instale, acentuando que o Congresso é que vai definir se vai ter CPI e onde vai ter. E avisou: "O governo não tem medo de CPI". Qualquer governoO líder do governo na Câmara, José Múcio, repetiu o discurso de Jucá, citando até os mesmos Estados governados pelos tucanos, para dizer que eles também não querem instalação de CPI para atrapalhar suas administrações. "Qualquer chefe de Executivo sabe que o problema da CPI não é o foco. O problema da CPI é o palanque. É por isso, que, em São Paulo, o governo luta para não instalar a CPI", declarou José Múcio. Ele afirmou que, no caso da Câmara, a decisão sobre a instalação está nas mãos do Supremo Tribunal Federal. "Procurem saber se em Minas tem alguma CPI ou se no Rio Grande do Sul tem alguma", emendou. Questionado se não era pior deixar a CPI do Apagão Aéreo se instalar no Senado, onde o governo tem minoria, o deputado José Múcio respondeu: "Pior é pior em qualquer canto". E sobre a possibilidade de funcionarem duas CPIs, uma na Câmara, outra no Senado, afirmou: "Uma CPI é ruim, duas é pior, três é muito mais, quatro mais ainda. Todo o Executivo sabe que CPI atrapalha". Governo e oposiçãoJosé Múcio lembrou ainda que, em São Paulo, o governo tentou ressuscitar todas as CPIs que estavam paradas, para dificultar a instalação de novas, que atrapalhariam a atual administração. Para Jucá, "CPI é um instrumento de perturbação do processo de votação normal, e é claro que uma CPI, dependendo da forma como for conduzida, atrapalha não só votação do PAC, mas todas as votações do Congresso". O líder no Senado disse ainda que a CPI "contribui para complicar o clima reinante entre oposição e governo". Depois de reiterar que o governo não tem medo de CPI, Jucá avisou que "o governo não gostaria de ter uma CPI a perturbar o trâmite da votação do PAC no Senado". Segundo Jucá, "a preocupação do presidente é a quebra da normalidade". E completou: "nós temos muita coisa pra votar. Além do PAC, tem a reforma política que tem de sair este ano, tem a questão da Emenda 3, que é uma espécie de início da reforma trabalhista, que precisa ser discutida. Ou seja, temos muitas matérias que são importantes de serem debatidas num clima de normalidade". Texto ampliado às 18h31

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