Líderes boicotam reunião com senador

Ao se livrar de 11 representações no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador José Sarney (PMDB-AP) mostrou que a cadeira de presidente do Congresso é sua, por direito, mas nem por isso passou a presidir o Senado de fato e por inteiro. Prova disso foi o boicote do PT e dos partidos de oposição à reunião de líderes com o presidente da Casa, ontem, a primeira depois do arquivamento das ações contra ele.O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), alegou que estava em São Paulo com o presidente Lula. Além de faltar ao encontro, não se deu ao trabalho de encarregar seu primeiro vice-líder, senador Eduardo Suplicy (SP), de representar a bancada em seu nome.PSDB e o DEM, cujos líderes estavam em Brasília, faltaram à reunião com um propósito: deixar claro que não existe no Senado o ambiente de normalidade que Sarney tentara imprimir na véspera, ao subir à tribuna com uma postura mais de acadêmico do que de político, para homenagear o escritor Euclides da Cunha.Em conversas reservadas, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) foi um dos que observaram que a pacificação do Senado não está consolidada. Por isso mesmo, avaliou que o melhor para Sarney é retornar "aos poucos" à rotina parlamentar. "Ele deveria ter esperado um pouco mais para discursar", ponderou. "Sarney quer dar a impressão de que as coisas foram normalizadas, mas não foram", ponderou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ao defender a tese de que a oposição precisava "dar seu recado" a Sarney e à opinião pública. "A crise não está no Senado; é o Senado", emendou, ponderando que a saída é uma reforma profunda da instituição, o que não ocorrerá sob o atual comando.Para o líder do DEM, senador José Agripino (RN), a ausência da oposição é um gesto que demonstra desconforto com tudo o que está ocorrendo na Casa. "Por enquanto, não há ambiente para se votar nada que seja substancial ou polêmico", concorda o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

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