Líderes aliados admitem que situação da CPMF é 'dramática'

Base aliada já considera adiar a votação da emenda que prorroga o tributo para o ano que vem

Cida Fontes, da Agência Estado,

11 de dezembro de 2007 | 13h56

Diante da iminente derrota no Senado, o governo reabriu as negociações com o PSDB e DEM, desta vez para que a discussão sobre a CPMF seja transferida para o próximo ano, informaram líderes da base aliada à Agência Estado. Segundo esses líderes, a "situação é dramática".  Veja também:'Certamente falta algum voto para CPMF', diz FHCPMDB diz que Senado elege presidente e vota CPMF na quartaEntenda o que é a CPMF   Por isso, cresce no governo a percepção de que é concreta a possibilidade de não votar nesta quarta-feira a emenda que prorroga à CPMF. Somente um fato inusitado poderia reverter essa tendência, que se mostra, neste momento, majoritária entre os líderes governistas.  O líder do PMDB no Senado, senador Waldir Raupp (RO), informou, porém, que a votação da CPMF será mesmo nesta quarta, logo após a eleição do novo presidente do Senado, às 12 horas. Assim, para adiar a decisão para 2008, os líderes da base aliada teriam que obstruir a votação da emenda amanhã. Em apuros, por falta de votos para prorrogar a contribuição, o governo corre atrás de apoio nesta terça. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou nesta manhã com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, para pedir apoio de setores do DEM para a aprovação da emenda, mas não obteve sucesso. Lula deveria comparecer à cerimônia de assinatura do termo de adesão ao programa Bolsa-Atleta às 10h, mas não apareceu. Lula ligou às 8h30 para Arruda pedindo para conversar pessoalmente com ele e os dois combinaram um encontro na residência oficial do governador em Águas Claras. O presidente chegou ao local por volta de 9h30 e ouviu de Arruda que o partido tinha fechado posição contrária à prorrogação da CPMF. A idéia do encontro era conseguir pelo menos três votos de senadores do DEM, mas a missão do presidente acabou não dando certo. E o governo avança, cada vez mais nas concessões. Nesta terça, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu ao governador de Rondônia, Ivo Cassol, que o Banco Central deverá assumir a dívida de R$ 600 milhões do banco do Estado, o que favoreceria a situação financeira de Rondônia. Para o governo do Estado, essa dívida é reconhecida pelo TCU como de responsabilidade do Banco Central.  Apesar da promessa, o governo não conseguiu virar o voto do senador Expedito Junior (PR-RO), que já se comprometeu com a oposição a votar contra a CPMF. Expedito esteve reunido nesta terça com Ivo Cassol, que reforçou os apelos do governo para que ele mudasse seu voto. O governador deve ter nova reunião, nesta tarde, com o ministro Mantega.  Baixas O governo, que já não tinha os 49 votos necessários para aprovar a proposta, viu na segunda-feira sua situação política piorar ainda mais, por conta de duas baixas no time dos aliados: a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), e o senador Flávio Arns (PT-PR), ambos hospitalizados.  Não bastasse isso, o voto do senador Osmar Dias (PDT-PR) voltou a ser uma incógnita. Ele ocupou a tribuna do Senado para cobrar, entre outras coisas, garantias explícitas do governo sobre o uso adequado dos recursos destinados à CPMF, propostas concretas para corte de gastos correntes e repasse de recursos para o Hospital das Clínicas do Paraná. Sem isso, anunciou, terá muita dificuldade para votar com o governo. Caso a votação seja mesmo adiada para 2008, não será necessária uma nova emenda constitucional para prorrogar a CPMF, visto que a atual, que passou por duas votações na Câmara, poderia ser aproveitada.

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