Líderes acertam votar MP que dá maior poder ao BC hoje

Os líderes dos partidos fecharam acordo na reunião com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para votar hoje a medida provisória 442, que amplia os poderes do Banco Central para socorrer bancos em dificuldades. O líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), confirmou que o partido não fará obstrução na sessão de hoje a tarde. Ele afirmou que a Medida Provisória 442 tem "eficácia questionada", porque os recursos liberados pelo Banco Central para os bancos não estão chegando para dar liquidez. José Aníbal confirmou que amanhã o partido vai obstruir para evitar a votação do projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB).O DEM também anunciou que não obstruirá a votação de hoje, segundo o líder do partido, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Ele deu a informação ao deixar a reunião de líderes com Chinaglia. "Não há obstrução para a 442", disse Neto, afastando a possibilidade de usar a oportunidade para evitar a votação do projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB), marcada para amanhã. Havia receio de que o DEM, contrário ao projeto Fundo Soberano, viesse a obstruir a votação da MP para impedir a aprovação do FSB.O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que, na reunião dos líderes, foi fechado um acordo para votar a MP hoje e, amanhã, o Fundo Soberano. No entanto, ressaltou Alves, a oposição fará obstrução na sessão de amanhã. DEM, PSDB e PPS não querem a criação do fundo. Entre os argumentos, a oposição diz que o momento de crise é inoportuno e o temor de que sirva para arrecadar recursos para a campanha do futuro candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência faz levantar suspeitas sobre brechas para corrupção.Ao chegar à reunião dos líderes, o relator da MP 442, deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), afirmou ter o apoio do PSDB para a votação dessa MP na sessão de hoje à tarde. O deputado apresentou o seu parecer aos líderes partidários. Ele fez alterações no texto original do governo, seguindo critério da transparência e para permitir a fiscalização nas operações de redesconto. Rocha Loures afirmou, no entanto, que todas as operações foram acertadas com o governo. Até a noite de ontem, ele esteve reunido no Ministério da Fazenda discutindo os critérios que adotou para fazer as alterações.O relator aproveitou poucas das 74 emendas apresentadas ao texto da Medida Provisória. Aceitou a emenda que obriga a prestação de contas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao Congresso Nacional. Pelo texto elaborado por Rocha Loures, o presidente do BC terá que enviar trimestralmente relatório sobre as operações de redesconto com o valor total mensal, as condições financeiras aplicadas às operações. Além disso, está prevista a presença do presidente do BC nas comissões temáticas do Congresso Nacional para debater as ações e providências tomadas para enfrentar a crise. Rocha Loures acatou também emenda que dispensa o registro em cartório de contratos de operações de compra de automóveis feitas por meio de arrendamento mercantil.

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