Lideranças da Raposa Serra do Sol pedem retirada de não-índios

Foi assinada com o governo federal uma carta-compromisso para que exigência seja cumprida

Agência Brasil,

12 de setembro de 2007 | 22h26

Lideranças da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima, assinaram, em Brasília, com o governo federal carta-compromisso com o objetivo de firmar responsabilidades entre os índios e a União no processo de desocupação da terra pelos não-índios.  De acordo com o documento assinado, os índios se comprometem a evitar confrontos e manter um relacionamento de respeito mútuo. Ainda segundo o texto, o governo federal deve assumir, com a participação dos indígenas, ação coordenada e sistemática para proteger os direitos dos povos.  Os índios pediram ainda a construção de políticas públicas e projetos de desenvolvimento sustentável na região. "Essa carta-compromisso representa um grande respeito e união dos povos indígenas e o fortalecimento com o governo federal", afirmou Dionito José de Souza, coordenador-geral do Conselho Indigenista de Roraima (CIR). A Raposa Serra do Sol foi homologada em 15 de maio de 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A terra, de 1,74 milhão de hectares (o equivalente a dois terços do território de Sergipe), abriga aproximadamente 18 mil índios. O processo de reassentamento dos não-índios começou no ano passado. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já destinou 31,3 mil hectares de terras públicas da União para atender aos remanescentes.  Segundo a assessoria de imprensa do Incra, já foram atendidas 102 famílias, sendo 37 de pequenos produtores. Todos terão que sair, mas alguns fazendeiros ainda mostram resistência. O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, disse que os produtores estão na terra ilegalmente. Segundo ele, as indenizações pelas benfeitorias estão sendo repassadas e para quem se recusou a receber o governo federal ajuizou o pagamento. "Queremos desocupação tranqüila. Eles terão que sair e queremos que isso seja feito na maior tranqüilidade para que o estado de Roraima continue seu processo de desenvolvimento, de crescimento respeitando o direito dos índios e dos não-índios", observou.

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