Lideranças afirmam que PSDB e PMDB serão contra proposta de regulação da mídia

Senador tucano Aloysio Nunes chama ministro das Comunicações de 'aloprado' e Eduardo Cunha diz que partido não vai apoiar 'pauta ideológica' do PT; PSB também manifesta contrariedade

José Roberto Castro, André Magnabosco e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2015 | 09h53

Atualizado às 14h18

São Paulo - O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o líder do PMDB na Câmara dos Deputados e candidato à presidência da Casa, Eduardo Cunha (RJ), afirmaram neste sábado, 3, que serão contrários o projeto de debate sobre a regulação da mídia defendida pelo governo federal. Ao tomar posse nessa sexta, 2, o novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, disse que uma de suas missões será a discussão da regulamentação econômica dos veículos de comunicação. O PSB também manifestou contrariedade à proposta.

Em sua página no Facebook, o senador tucano classificou a iniciativa como uma "tentativa criminosa" e como uma forma de "controle da imprensa" e ainda chamou o novo ministro de "aloprado" - o termo foi usado pela primeira vez pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, para criticar os envolvidos no episódio da compra de um dossiê contra o então candidato à Presidência José Serra. O tucano ainda definiu os apoiadores da medida como "facções rivais do campo lulo-petista".

O debate sobre a regulação da mídia chegou a constar nas diretrizes do PT para o programa de governo da reeleição da presidente Dilma Rousseff mas foi retirado por pressão de aliados. O tema também foi discutido durante o governo Lula, mas não avançou.

Ao tomar posse, Berzoini disse não haver nenhuma proposta estabelecida e que a ideia é discutir "com tranquilidade, sem pressa". "Todos os setores da economia que têm grande impacto social, democrático e econômico são regulamentados. Queremos fazer um debate amplo sobre o tema", afirmou, enfatizando que o principal alvo da discussão serão os veículos detentores de concessão pública, caso de emissoras de rádio e TV.

Ainda nesta sexta, integrantes do PMDB, principal partido da base aliada, já manifestaram o assunto deve ser tratado com cautela. Mais tarde, em seu perfil no Twitter, Eduardo Cunha afirmou que será "radicalmente contrário" a um eventual projeto de regulação da mídia. "Não confundam a pauta congressual da governabilidade que apoiaremos com a pauta ideológica do PT, que não apoiaremos de forma alguma", escreveu.

O deputado afirmou que o tema "incomoda muito o PMDB" e disse que o partido não aceita sequer discutir o assunto. O candidato do PMDB ao comando da Câmara, que no ano passado protagonizou embates contra o Planalto, também fez questão de defender uma posição de independência em relação ao governo federal, e insinuou que Chinaglia não teria condições de adotar a mesma postura.

"Que independência pode ter quem acabou de deixar a liderança do governo, nomeou o filho e era a favor dos conselhos populares?", indagou Cunha. "Não seremos submissos ao governo e não seremos de oposição", disse o deputado. Cunha acusa Chinaglia de indicar o filho para um cargo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O peemedebista afirmou querer uma "Câmara independente" e pediu a seus seguidores para que não confundam a "pauta congressual da governabilidade" da "pauta ideológica do PT". Esta, segundo o deputado, não será apoiada "de forma alguma". Sem citar o nome de Chinaglia, o deputado do PMDB ainda afirmou que o petista não é o candidato do governo, mas sim o "candidato da submissão ao governo".

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), também candidato à Presidência da Câmara, afirmou que a proposta dificilmente terá espaço para avançar no Congresso. Segundo ele, o PSB é contra aprovar esse tipo de medida "por princípio", e esse foi um dos pontos colocados pelo PSDB para apoiar a candidatura do senador Aécio Neves (MG) à Presidência.

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