Líder tucano se enrola com impeachment

Carlos Sampaio afirma pela manhã que deputados vão pedir afastamento, mas à noite diz que antes precisa ouvir Aécio e cúpula do partido

Daniel Carvalho, Isadora Peron e José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 22h51

BRASÍLIA - Uma declaração na manhã desta sexta-feira, 24, do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), provocou mal-estar na cúpula do partido a respeito do momento certo para a apresentação de um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. À noite, o deputado precisou retificar seu posicionamento.


Após reunião pela manhã com a bancada do partido na Câmara, Sampaio disse: “Se depender da bancada do PSDB, protocolamos este pedido entre terça e quarta-feira”. A declaração repercutiu mal no comando do partido, que ainda aguarda a avaliação de juristas para se posicionar oficialmente sobre o assunto. O presidente da sigla, senador Aécio Neves (MG), telefonou para Sampaio e exigiu dele um esclarecimento. 


À noite, o deputado relativizou a declaração. “Talvez tenha me expressado mal. Vou na terça pela manhã tomar um café com o Aécio para levar a posição da bancada, para ouvi-lo. Ouvi-lo mesmo, porque a decisão tem que ser conjunta. Não faria sentido eu falar: ‘Eu vou na terça ouvir o Aécio’ e na quarta eu entro (com o pedido se houver concordância do partido)”, disse o líder. “Vou levar a posição da bancada. Para a bancada, não tem mais o que aguardar. Já temos os elementos e daí vamos decidir conjuntamente.”


O encontro ontem com a bancada era para discutir a infraestrutura do País, mas o impeachment acabou sendo o tema dominante. Na entrevista, Sampaio afirmou que os deputados tucanos consideram possível pedir o impeachment por crime de responsabilidade com base nas chamadas pedaladas fiscais e por suposta omissão da petista no esquema de corrupção da Petrobrás. 


Aécio e parte da bancada no Senado, por sua vez, têm adotado um tom mais cauteloso ao tratar o assunto. O presidente do PSDB, candidato derrotado na corrida pelo Planalto, diz aguardar análise de juristas para que o partido tome uma posição. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse no domingo que pedir o impedimento da presidente neste momento é “precipitação”. 


Sampaio discorda, conforme relatou logo após o encontro com deputados. “A decisão (da bancada) foi tomada, o impeachment é cabível e não precisamos aguardar mais nenhum parecer”, disse pela manhã. “Respeitamos a posição do ex-presidente Fernando Henrique e dos senadores que discordam, mas a Casa que decide é a Câmara. A bancada tem clareza de que o momento enseja o impeachment”, afirmou o líder tucano, segundo quem “95% da bancada” apoia essa posição.


Um dos principais aliados de Aécio, o deputado Marcus Pestana (MG) saiu em defesa de Sampaio. “Não há discordância. Nem Fernando Henrique Cardoso, nem José Serra. Está todo mundo escandalizado com o descalabro. O que há é muito em cima das evidências jurídicas. Só que o Carlão (Sampaio) nos últimos dias avançou.”


Sem base. Líder do governo na Câmara e vice-presidente do PT, o deputado José Guimarães (CE) disse que a posição da bancada tucana é um “despropósito” que “não tem base política ou jurídica” com intenção de “fazer mídia”. “É o 3.º turno, o quanto pior melhor. Ela (oposição) não está preocupada com Petrobrás, não está preocupada com nada. É uma oposição muito pouco responsável com o País.”

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