Ed Ferreira/Estadão
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Líder tucano minimiza investigação de período FHC em CPI

Carlos Sampaio (SP) diz não ver nenhum problema para que comissão apure irregularidades desde que 'haja conexão entre os fatos'

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 19h29

Brasília - O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse não ver problema no pedido do PT para que a CPI da Petrobrás investigue irregularidades na estatal também durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Não vejo nenhum problema, desde que haja conexão entre os fatos", disse Sampaio. No entanto, o líder condicionou a ampliação da investigação ao depoimento do ex-gerente de Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco, que acusou o PT de receber entre US$ 150 e US$ 200 milhões em propina oriunda de contratos da empresa. Barusco deve ser convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito, que deve ser instalada na próxima quinta-feira, 26.

"Se o Pedro Barusco disser que há uma conexão com a época do governo do PSDB, temos que retroagir por uma questão muito simples: corrupção não tem coloração partidária", afirmou o líder.

A CPI foi criada para investigar denúncias de corrupção na estatal no período entre 2005 e 2015. A oposição alega que foi naquele ano que começou a negociação para a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, embrião da crise da estatal. O PT precisará aprovar no plenário da CPI a solicitação de ampliação do período a ser investigado.

"Não vamos retroagir porque eles (PT) estão fazendo requerimento. Só vamos retroagir se houver conexão. E, para demonstrar conexão, o Pedro Barusco tem que ser ouvido nesta CPI", disse Sampaio.

Bendine. Apesar de não ver necessidade de convocar o atual presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, para prestar esclarecimentos à CPI, Carlos Sampaio disse não descartar a possibilidade de convocá-lo para falar em outras comissões. O vice-presidente da área internacional do Banco do Brasil, Allan Toledo, disse ao Ministério Público Federal que Bendine deu carona à socialite Val Marchiori e a outras duas pessoas em um jatinho a serviço do banco em uma viagem oficial a Buenos Aires em 20 de abril de 2010.

"É provável que chamemos assim que as comissões forem instaladas", disse o líder tucano, que também cobrou esclarecimentos a respeito de um empréstimo de R$ 2,7 milhões feito à empresa da socialite em 2013, contrariando normas do banco.

"As coisas estão se cercando de forma contrária a tudo o que disse o Bendine até agora. A tendência é que o Ministério Público avance na investigação e daí sim vamos descobrir se houve esse voo e, se aconteceu esse voo, evidentemente se deu de forma irregular, porque ela não faz parte do banco, não tinha porque participar de uma negociação e nem pegar uma carona neste avião", afirmou o deputado.

Para o líder do PSDB, o suposto envolvimento de Bendine em escândalos é prejudicial à estatal. "A indicação dele já foi ruim para Petrobrás. Ele não era nenhum dos técnicos reconhecidamente como uma pessoa preparada para comandar a Petrobrás. Foi escolhido por falta e opção."

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