Líder sugere fim, mas greve na Bahia continua

Os policiais militares e civis da Bahia em greve passaram o dia de hoje discutindo nos quartéis a proposta do governo baiano para o retorno ao trabalho. A maioria dos integrantes do comando de greve rejeitou a proposta, mas o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Crispiniano Daltro, candidato derrotado a vereador na última eleição pelo PT, defendeu o fim da greve por "tempo determinado", achando que os policiais poderiam garantir o percentual proposto pelo governo e continuar lutando por um aumento maior. Até o final da tarde de hoje, a greve continuava, enquanto os líderes se reuniram no Batalhão de Guarda da PM para discutir o retorno ou não ao trabalho. Após o final da rodada de negociação de ontem à noite, o clima ficou tenso entre governo e grevistas. O secretario da Fazenda Albérico Mascarenhas, principal negociador do governo, afirmava que o tesouro estadual tinha "chegado ao limite" ao conceder um aumento de 20% divididos em três vezes (10% em agosto, 5% em maio - sobre o salário de agosto já majorado em 10% - e 5% em julho, o que perfaz um ganho acumulado de 21%) e mais alguns benefícios como, ajuda alimentação de R$ 80,00 para os policiais da capital e o fim do desconto mensal de R$ 19,00 para fardamento. De braços com o PTA proposta foi submetida aos representantes de batalhões da PM em assembléia realizada ontem à noite num auditório da Secretaria de Administração do Estado, comandada pelo sargento Manuel Isidório de Santana, que chegou ao local de braços dados com a mulher e a deputada Moema Gramacho (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. Graças ao empenho de Santana, a proposta, tachada por ele de "imoral", foi rejeitada. Principal liderança da greve, que há pouco tempo se dizia "apolítico", o sargento tornou-se um militante radical antigovernista (ele já anunciou sua candidatura a deputado estadual pelo PT no próximo ano) após passar 17 dias presos por indisciplina. Num determinado momento da assembléia, incomodado com uma foto do governador César Borges (PFL) pendurada na parede do auditório, pediu para retirá-la, o que a deputada Moema prontamente atendeu. Os policiais decidiram encaminhar uma nova proposta: além do aumento de 21% sobre o salário-base, reivindicaram outros 33% sobre a Gratificação de Atividade Policial. Esses 33% já seriam devidos aos policiais em função de uma lei estadual aprovada em 1997, determinando o aumento da gratificação toda vez que houver reajuste do salário mínimo. Além disso, o comando da greve argumenta que o governo baiano tem margem para conceder um aumento maior pois só compromete 42% de sua receita com o pagamento do funcionalismo, quando o limite é de 60%. O governo admite gastar 50% com a folha salarial e não aceitou voltar a negociar, divulgando uma nota alegando que o aumento e os benefícios propostos elevariam os ganhos salariais entre 42% e 55%, fazendo com que a menor remuneração paga a um soldado da PM iria dos atuais R$ 501 para R$ 764. E identificou "manipulação política do movimento que atende a interesses daqueles que, mesmo reconhecendo a ilegalidade da greve, agem contra a lei e expõem a população e os patrimônios públicos e privados à insegurança".

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