Líder sem-terra José Rainha completa 3 meses na prisão

O líder sem-terra José Rainha Júnior, acusado de envolvimento em desvio de verbas da reforma agrária, completou hoje três meses na prisão. Detido com outras nove pessoas na Operação Desfalque, da Polícia Federal, no dia 16 de junho último, ele teve a prisão temporária convertida em preventiva e até a tarde de hoje permanecia numa cela do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na capital. Os outros acusados foram libertados dias depois da prisão, mas José Rainha não foi solto.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

15 de setembro de 2011 | 17h08

O advogado Jovelino Strozack, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, entrou hoje com pedido de habeas corpus em favor do sem-terra no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Entre os argumentos, ele alega que não há razão para que Rainha continue preso, enquanto outros acusados dos supostos crimes já respondem em liberdade. O pedido deve ser julgado amanhã. Na prisão, o ex-líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) tem recebido visitas de lideranças do PT e de movimentos sociais. No último dia 6, estiveram com ele o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) e o estadual Simão Pedro. Integravam a comitiva o secretário estadual dos Movimentos Populares, Wellington Diniz, e João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST. "Vim trazer solidariedade a este companheiro que é militante dos movimentos sociais e merece o nosso respeito", disse, na ocasião, o deputado Simão Pedro.

Rainha é acusado de apropriação indébita e extorsão contra os assentados do Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, sua área de atuação. Ele havia sido preso anteriormente por furto, danos, porte ilegal de armas e outros crimes relacionados com a invasão de fazendas. Desta vez, a investigação da PF apontou que José Rainha e seu grupo usavam cooperativas e associações de assentados para se apropriar ilegalmente de recursos públicos. A operação prendeu também funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e levou à queda do então superintendente do órgão em São Paulo, Raimundo Pires da Silva. Ele chegou a ser detido para prestar depoimento e foi liberado em seguida.

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