Líder no Rio, Crivella vira alvo dos adversários

Fidelidade evangélica explica a liderança na pesquisa, avalia candidato do PRB e ex-bispo da Igreja Universal

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2008 | 00h00

Uma eleição em que tudo pode acontecer. Dessa forma a maioria dos candidatos à Prefeitura do Rio encarou a primeira rodada do Ibope, em pesquisa contratada pelo Estado e pela TV Globo, divulgada ontem. Os números fizeram os adversários do senador Marcelo Crivella (PRB), que lidera com 23%, intensificarem o discurso contra ele. Com as dificuldades de sua candidata, Solange Amaral (DEM), o prefeito Cesar Maia (DEM) deu o tom carregando nas acusações de uso eleitoral da religião contra o ex-bispo da Igreja Universal. É justamente dessa imagem que o senador tenta escapar para superar a mais alta rejeição entre os candidatos. Crivella vence a maioria das simulações de segundo turno, mas empata com a segunda colocada, Jandira Feghali (PC do B), em 33%.O senador admite que temeu pela contaminação de sua campanha pela comoção de junho, provocada pela morte de três jovens do Morro da Providência, que estava recebendo do Exército obras do projeto Cimento Social , de sua iniciativa. Eles foram entregues a traficantes por militares. Para o senador, a pesquisa mostra consistência de popularidade, em boa parte fruto da fidelidade evangélica. "Os efeitos eram uma incerteza, uma dúvida, mas ela passou quando verifiquei na pesquisa que o povo entendeu o meu projeto", disse Crivella.Para o senador, "é fundamental" para sua vitória crescer nas faixas com maior renda e escolaridade. Por isso, ele escalou o ex-marqueteiro de Lula, Duda Mendonça. Sob influência do publicitário, lançou uma carta aos cariocas nos moldes da Carta aos Brasileiros de Lula. Nela, o ex-bispo se compromete a não misturar religião e política na prefeitura. "Preciso muito da genialidade do Duda", disse Crivella, que terá apenas 2 minutos de TV no horário eleitoral.Embora Lula tenha anunciado que não vai participar da campanha no Rio, onde o PT e outros partidos de sua base têm candidatos, Crivella também conta com o prestígio do presidente. Ele recebeu de Lula desagravos públicos em eventos no Rio antes do período eleitoral.Na vice-liderança com 14%, Jandira comemorou, mas, cautelosa, ponderou que a campanha está no começo. Com os candidatos Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), ambos com 8%, e Solange Amaral (DEM), com 5%, embolados na disputa por um lugar no segundo turno, a situação da comunista ainda é frágil. Correm por fora Chico Alencar (PSOL), com 4%, e Alessandro Molon (PT), com 3%.Para Jandira, que se ressentiu do lançamento de candidatos próprios pelo PT e PDT, a pulverização da esquerda não inviabilizou sua campanha e pode se tornar uma vantagem num eventual segundo turno com Crivella. "Não tenho dúvida que minha candidatura é a única que tem chance de ampliar (alianças) no segundo turno", afirmou. "A união das esquerdas teria nos ajudado a dar um salto maior agora, mas continuamos com a candidatura mais viável." A deputada Solange Amaral (DEM) deixa o ataque a Crivella para o padrinho político, Cesar Maia, e tem se ocupado apenas de Jandira como estratégia para chegar ao segundo turno. "No primeiro momento, meu objetivo é chegar ao segundo turno", admite.O Ibope verificou que um terço dos entrevistados no Rio ainda está no universo de indecisos. Para Gabeira, só depois do início da campanha na TV será possível alcançar esse eleitor. O petista Alessandro Molon, que amarga 3%, também confia no horário eleitoral na TV . Ex-tucano, o ex-deputado Eduardo Paes (PMDB) aposta na identificação com o governador Sérgio Cabral (PMDB).

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