Líder indígena vai à Europa por apoio contra MP da Amazônia

Ianomâmi Kopenawa diz ser contra medida que regluariza áreas na região: 'Querem tirar terra que é da floresta'

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

09 de junho de 2009 | 13h25

O líder ianomâmi, Davi Kopenawa, pede ajuda na Europa de deputados e governos para que pressionem o governo brasileiro a vetar artigos da medida provisória que permite a regularização de posses de até 1,5 mil hectares na Amazônia. "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está fazendo o que cumpriu, que era proteger o meio ambiente. Lula tem uma responsabilidade global pelo planeta, já que o Brasil tem uma das maiores florestas do mundo", disse o líder indígena.

 

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Durante sua turnê pela Europa, Davi ainda denunciará o tráfico de armas pelas terras ianomâmis e a explosão do número de garimpeiros nos últimos meses. Nesta semana, Davi ganhou um prêmio na Espanha e nesta terça-feira, 9, deve ser recebido por parlamentares britânicos. No final da semana, ele estará na Noruega para uma conferência sobre mudanças climáticas. A viagem foi organizada e financiada pela ONG britânica Survival International.

 

"Minha mensagem aos políticos europeus é de que temos de proteger o planeta. Queremos o apoio deles para que nos ajudem a pressionar o governo brasileiro", disse o líder indígena.

 

A medida provisória tinha como objetivo original regularizar uma área de 67,4 milhões de hectares de terra, no valor de R$ 70 bilhões. "Sou contra isso. Querem tirar a terra que é da floresta", disse o líder indígena.  Mas Davi garante que também vai cobrar uma posição dos europeus em relação à compra de madeiras da Amazônia. "Os europeus também tem parte da culpa", disse.

 

Para ele, parte da preservação da Amazônia passará por um cuidado com a situação indígena. "Sem índio não há como preservar a floresta. Mas, para isso, o governo precisará garantir que mineradoras e garimpeiros não entre em nossa área. Lula prometeu que iria cuidar de nossos interesses e não está fazendo", disse.

 

Davi conta que, nos últimos meses, vem observando um aumento do tráfico de armas no território ianomâmi. "Sei de pelo menos seis pistas de pouso que são clandestinas nas proximidades de nossas terras. Aviões pequenos chegam de Manaus e Boa Vista carregados de armas que, então, estão sendo distribuídas para pessoas que estão entrando em nossas terras", disse. Algumas dessas pistas estariam no município de Alto Alegre.

 

Segundo ele, há uma nova onda de entrada de garimpeiros no território ianomâmi. "Sempre houve uma entrada dessas pessoas nas terras da reserva. Mas agora esse número explodiu", disse.

 

Sting

 

Davi lembra que, há 20 anos, o povo Ianomâmi precisou da ajuda do cantor Sting para defender seus interesses no exterior. "Hoje, nossas lideranças já falam português e nossos filhos também falarão inglês", alertou. O líder indígena ainda está sendo comparado pela imprensa europeia como o "Dalai Lama da Floresta". "Eu não o conheço. Mas tenho certeza de que somos parentes. Afinal, o que queremos é a mesma coisa: a proteção de nossa terra e nosso povo", completou.

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