Líder indígena é morto a facada no Amapá; políticos veem ação de garimpeiros

Emyra Wajãpi foi atacado enquanto voltava da casa da filha e o corpo foi encontrado dentro de um rio

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 19h15
Atualizado 28 de julho de 2019 | 15h08

Um líder indígena da etnia Wajãpi, no Amapá, foi morto a facadas no início da semana. Segundo lideranças da aldeia e funcionários da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas, o cacique Emyra Wajãpi foi atacado enquanto voltava da casa da filha e o corpo foi encontrado dentro de um rio. Eles afirmam que houve uma invasão de um grupo de cerca de 50 garimpeiros na aldeia desde a sexta-feira, 26.

De acordo com a secretaria, o grupo está armado e há risco de conflitos. Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que já notificou a Polícia Federal e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar. "Sobre a suposta invasão à Terra Indígena Waiãpi, no Amapá, a Fundação Nacional do Índio informa que assim que tomou conhecimento do fato neste sábado (27) acionou as autoridades competentes e seus servidores no local. A Polícia Federal, assim como o BOPE, estão a caminho para apurar o ocorrido. Por ora não há registros de conflito, apesar de ter sido confirmado um óbito, mas não há detalhes das circunstâncias. O local é de difícil acesso. Mesmo assim, a equipe da Funai e da PF permanecerão no local para garantir a integridade dos indígenas e apuração dos fatos", diz nota enviada pelo órgão.

O vereador Jawaruwa Wajãpi (Rede), do município de Pedra Branca do Amapari, a 189 km da capital Macapá, afirmou que está na aldeia e pediu apoio ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). "Estamos pedindo socorro, estamos pedindo seu apoio para ver se libera as Forças Armadas ou qualquer ajuda. Uma comunidade Wajãpi está em risco de morte", disse em áudio enviado pelo WhatsApp. “Estamos aguardando, porque sem a resposta será tarde demais”, afirmou.

Ao Estado, o assessor técnico da Secretaria dos Povos Indígenas do Governo, Makreito Wajãpi, confirmou as informações. "Estamos precisando urgente da entrada dos policiais federais, junto com a Funai, queremos que isso seja resolvido o mais rápido possível", disse. Ele relatou que isso "nunca tinha acontecido antes". "É a primeira vez que aconteceu isso na nossa vida. Ficamos muito preocupados e tristes, porque temos família, crianças, e nossa preocupação é isso."

Makreito também disse que líderes indígenas relataram uma tentativa de assassinar o cacique Arawyra e sua família na sexta-feira. Segundo o relato, o cacique estava com sua mulher e uma neta em uma plantação quando foi surpreendido por cinco pessoas, que seriam garimpeiros. O grupo teria atirado contra os três indígenas, que conseguiram fugir.  Os moradores da aldeia estão abrigados em uma comunidade vizinha.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) reclamou que "não houve nenhuma manifestação da Funai, nem foi possível contato com a Polícia Federal para ser tomada alguma providência". Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar disse que tenta "sensibilizar e mobilizar as autoridades para o que está acontecendo nesse momento na terra indígena de Wajãpi".

De acordo com Randolfe, lideranças indígenas afirmam que, se não houver providência por parte das autoridades, os Wajãpi vão "estar em guerra, entrar em conflito" com os garimpeiros.

 

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