Líder dos sem-terra prepara 'carnaval vermelho' no Pontal

Rainha disse que as ações vão ocorrer 'nos próximos dias' e serão conjuntas com diversos movimentos

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 17h02

Afastado do Movimento dos Sem-Terra (MST) e em liberdade provisória, o líder dos sem-terra José Rainha Júnior articula uma nova ofensiva de invasões no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. O pretexto seria uma medida do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) que excluiu os grupos que ele representa das comissões de seleção para os novos assentamentos do órgão. Rainha disse que as ações vão ocorrer "nos próximos dias" e serão conjuntas com o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Trabalhadores Unidos pela Terra (Uniterra) e sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em fevereiro do ano passado, o líder mobilizou mais de mil famílias para invadir 19 fazendas no chamado "Carnaval vermelho". De acordo com Rainha, o Itesp deixou de incluir os movimentos sociais nas comissões que selecionam as famílias a serem assentadas, medida que considera autoritária. "A comissão de seleção deve ser representada por todas as partes interessadas e quem organiza a luta pela terra e faz as ocupações é o movimento social." Segundo ele, há mais de uma centena de assentamentos no Pontal e todos saíram do papel só depois que as áreas foram invadidas. "Sem ocupação não existe reforma agrária, por isso não tem sentido a gente fazer todo o trabalho depois virem os burocratas do Estado para decidir quem vai ser assentado." O líder acusou o Itesp de atrasar a reforma agrária na região, deixando o caminho livre para a entrada da cana-de-açúcar. "A licença ambiental para um assentamento demora quatro anos, mas para uma usina de cana sai da noite para o dia." Rainha disse que as ações também irão lembrar os 25 anos do MST. Ele chegou a ser uma das lideranças mais conhecidas do movimento, mas foi afastado porque não se submetia às orientações políticas da direção nacional. O MST não reconhece as ações do ex-líder. Rainha responde em liberdade por crimes de porte de arma e formação de quadrilha pelos quais foi condenado a mais de dez anos de prisão. Ele se diz inocente e alega que seu único crime foi "lutar por terra e por justiça social".  O diretor executivo do Itesp, Gustavo Ungaro, disse que a formação das comissões de seleção é sujeita a regras existentes há mais de 20 anos. "Dos oito integrantes, dois são representantes da sociedade civil e podem ou não fazer parte de movimentos sociais." Ele disse que a escolha é feita pelos demais integrantes, entre os quais três representantes do Estado, um da prefeitura, um da Câmara e um sindicalista. "Geralmente se escolhido quem é do lugar, pois o principal critério é que o assentado tenha aptidão para o trabalho rural." Segundo Ungaro, o Itesp continua o processo de assentar famílias na região e, na semana passada, inaugurou o assentamento Porto Maria, em Rosana, com cerca de 40 famílias.

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