Líder dos produtores rurais critica propostas do governo

O presidente da União DemocráticaRuralista (UDR), Luis Antonio Nabhan Garcia, vê risco de graveruptura institucional na proposta do ministro do DesenvolvimentoAgrário, Miguel Rossetto, de descriminalizar as invasões deterras. A proposta faz parte de um elenco de medidas sugeridaspelo ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ointuito de acelerar o programa de reforma agrária e evitarconflitos no campo. Rossetto insiste também na revogação da medidaprovisória baixada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardosoque impede a desapropriação de fazendas invadidas e exclui dareforma os invasores de terras. "Retirar a invasão dacriminalidade é declarar guerra contra o produtor edesestabilizar uma das mais expressivas cadeias produtivas doPaís", disse Garcia. O risco é maior, segundo ele, porque "essa espécie deobsessão" de favorecer os invasores é manifestada pelo própriogoverno. "É inconcebível que a proposta de ruptura sejaarticulada por um ministro de Estado, com o apoio de órgãosinstitucionais, como o Instituto de Colonização e ReformaAgrária (Incra)." Segundo ele, o ministro insiste em favorecer o Movimentodos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que não tem nada demovimento social. "Seus militantes querem o poder político paratrocar o sistema democrático por um modelo marxista-leninistatotalmente ultrapassado." De acordo com Nabhan, a onda de invasões promovidas peloMST e as propostas de Rossetto parecem ações encadeadas paradesviar a atenção do governo de reformas mais urgentes eimportantes de que o País precisa, como a previdenciária e atributária. "A ala radical do governo está seguindo a cartilhado MST, que prega a desestabilização do País." O líder dos produtores rurais pretende iniciar umamobilização para que o governo expurgue a ala radical do PT e ossimpatizantes do MST que, segundo ele, tomaram conta doMinistério e de órgãos como o Incra. "O presidente Lula precisacolocar nesses postos pessoas que respeitem a Constituição." Seisso não for feito, Nabhan promete uma marcha dos produtores aBrasília. "Vamos acampar lá e trabalhar dia e noite para tiraresse pessoal do governo."

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