Líder do PT teme que crise do PR no Senado chegue à Câmara

Walter Pinheiro disse que reorganização da base é problema de 'mar tranquilo' e 'marinheiros revoltosos'

Daiene Cardoso, Elizabeth Lopes e Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2012 | 17h43

SÃO PAULO - O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), afirmou nesta sexta-feira, 16, em entrevista  exclusiva ao Grupo Estado, temer que a crise nas relação entre o governo federal e a bancada do PR no Senado Federal também chegue à Câmara dos Deputados. "Nós temos um problema localizado com sete senadores. Eu particularmente acho que é preocupante, não dá para desprezar isso. Isso cria um clima e pode contaminar a outra Casa (a Câmara, onde a sigla tem 40 deputados)", apontou o senador. De acordo com o petista, no processo de reorganização da base aliada "o mar está tranquilo (no Congresso), revoltosos estão os marinheiros". "Precisamos resolver essa questão, porque só no  vento, a nau não vai", avaliou.

O senador pregou que o PT trabalhe para se reaproximar do PR e evitar a debandada definitiva da base, mas deixou claro que não pretende entrar na briga por reacomodação de aliados."A gente tem  de tratar dessa questão no aspecto que nos cabe. Ocupação de espaço é tratado com a presidenta, não conosco", avisou.

Pinheiro condenou a pressão por cargos e disse que a preocupação maior está em não "abrir precedentes" neste momento delicado nas relações do governo com sua base aliada. "É legítimo o PR reivindicar um espaço de atuação no governo, mas também não pode ser permanentemente essa coisa da pressão como elemento para obtenção de cargo, até porque tudo tem limite", disse. "Assim como também é legítimo um governo não aceitar a lógica de ocupação de espaço pela pressão." Na sua avaliação, se a presidente cedesse a esse tipo de apelo, poderia se tornar refém dessa situação.

Segundo o senador, a presidente Dilma Rousseff tem sido rigorosa no enfrentamento da crise e ressaltou que ela não pretende ceder a esse tipo de pressão. "Dilma não é muito de se tornar refém ou de aceitar essa condição de refém", elogiou.

O petista divide a crise entre o governo e sua base aliada no Senado em duas fases: a rebelião do PMDB contra a interlocução entre os senadores e o Palácio do Planalto e a pressão do PR por mais espaço no governo. O primeiro recado do PMDB ao governo foi dado com o veto à recondução de Bernardo Figueiredo para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). "Bernardo era uma peça do tabuleiro de xadrez que pode ser trocada. Ele não é nenhum bispo, nenhuma torre. Se fosse torre, não teria caído. Ele está mais para peão", comentou.

Apaziguada, pelo menos momentaneamente, a revolta dos peemedebistas, o governo teve de lidar com a ameaça do PR de deixar a base governista. "O problema nunca deixou de existir", lembrou o senador, referindo-se ao estopim da crise a partir da queda de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, em julho passado e à pressão constante da legenda pela indicação do novo ministro, já que a sigla não se sente representada pelo atual titular da pasta, Paulo Sérgio Passos, e quer indicar um nome de sua direção para o cargo.

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