Líder do PT no Senado diz que FHC age como um ‘líder de torcida’

Humberto Costa afirma que declaração de ex-presidente tucano demonstra ‘inveja’ e ‘ressentimento’

O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 23h48

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou ontem a postura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que sugeriu que a presidente Dilma Rousseff renunciasse ao cargo. De acordo com o líder petista, o ex-presidente tucano, que se manifestou por meio de uma rede social um dia depois das manifestações contra Dilma em todo o País, age como um “líder de torcida”.

“Do ex-presidente, se esperava uma posição de estadista. No entanto, ao invés disso, ele age como líder de torcida”, disse o senador petista. Para Costa, se Fernando Henrique acredita que todo presidente que passa por uma crise deve renunciar ao cargo, ele deveria ter tomado essa atitude quando estava no poder e enfrentou denúncias relativas ao escândalo da compra de votos para a reeleição e às privatizações e índices de baixa popularidade após ser reeleito, em 1998. 

O líder do PT no Senado classificou a declaração de FHC como um “grave equívoco”, “demonstração de ressentimento e inveja” e que revela uma “pequenez política” por parte do tucano. “É um grave equívoco. Se um governo que está mal avaliado e enfrentando uma crise econômica tivesse que renunciar, Fernando Henrique também o deveria ter feito quando foi presidente”, disse o petista.

“A fala dele revela uma pequenez política porque um ex-presidente deveria estar contribuindo para melhorar o País. Ele deveria mostrar uma postura de estadista mas está parecendo mais um chefe de torcida.”

Porta-voz. André Singer, cientista político e ex-porta-voz do governo Lula, disse ontem não compreender as falas de lideranças tucanas dando apoio ao impeachment, em especial a manifestação de FHC. “A presidente tem dito diversas vezes que não vai renunciar, o que a meu ver é correto, ela tem mandato e o mandato dela é legítimo”, disse ao argumentar que atualmente não há embasamento legal para um processo de impeachment. Para ele, qualquer movimentação de afastamento de Dilma neste momento seria um “golpe branco”.

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