ANDRE DUSEK/Estadão
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Líder do PT no Senado diz não haver motivos para impeachment de Dilma

Humberto Costa (PE) minimizou a delação do presidente da UTC Ricardo Mendonça e lembrou que outros partidos receberam mais dinheiro da empreiteira

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 16h29

Atualizado às 17h10

Brasília - O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta segunda-feira, 29, que mesmo após as revelações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, não há fatos que justifiquem um pedido do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O petista também defendeu a permanência no governo dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), citados na delação do empreiteiro.

"Eu não vejo, até o momento, nada que justifique o impeachment da presidente da República. Mesmo essa delação, se ela corresponder à realidade, não há ali questionamento quanto à legitimidade do mandato da presidente", afirmou Costa.

Segundo o petista, "não há hipótese" de as campanhas de Dilma nem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terem sido irrigadas com recursos desviados da Petrobrás. "Os nossos adversários na oposição arrecadaram dessas empresas muito mais do que nós. Então por que os recursos que eles arrecadam é um recurso limpo e o recurso que vem para o PT é sempre recurso de propina?", questionou.

O líder do partido também afirmou que seria um "pré-julgamento" afastar os ministros citados por Pessoa. Segundo ele, por se tratar de vazamentos, não há como saber se esses fatos constam mesmo na delação premiada feita pelo empreiteiro. Ele também questiona a veracidade do conteúdo do depoimento do empreiteiro. 

"Não creio que caiba, neste momento, nenhum afastamento, na medida em que é apenas a palavra de um delator", afirma.

Cardozo. Humberto Costa (PE) também defendeu o convite feito ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para dar explicações ao partido sobre as últimas ações da Polícia Federal, subordinada a ele. Segundo ele, essa atitude não é nenhum "fim do mundo" diante do que chamou de "abusos" que estariam sendo cometidos pela PF no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga as denúncias de irregularidades na Petrobras.

"Obviamente, em algumas ações que foram feitas, houve um determinado grau de abuso. E cobrar uma posição do ministro em relação a isso não me parece o fim do mundo nem nenhum tipo de conivência com a irregularidade ou com a corrupção", afirmou. Conforme revelou o Estadão, a decisão foi tomada na última quinta-feira, durante a reunião da Executiva Nacional do PT, em São Paulo. O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o objetivo é simplesmente ouvir o ministro. No entanto, conforme integrantes da cúpula petista, a ideia seria enquadrar Cardozo sobre as últimas ações da PF que comprometeram ainda mais o partido

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