Líder do PT na Câmara diz que Vaccarezza não representa o partido

Deputado José Guimarães (CE) reafirma que legenda trabalha para que regras da reforma política que forem aprovadas este ano tenham validade já em 2014

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2013 | 18h41

Brasília - Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira, 19, o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), tentou desvincular as declarações do coordenador do grupo de trabalho da reforma política na Casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), da posição da bancada petista sobre o tema. Na primeira reunião do grupo instalado nesta semana, Vaccarezza disse que as propostas, a serem apresentadas em 90 dias, não valerão para as eleições de 2014. Guimarães disse que as declarações "não expressam o pensamento nem da bancada na Câmara nem do Partido dos Trabalhadores".

Segundo o líder, o PT mantém "posição unitária em defesa do plebiscito" e vai insistir na mobilização dos aliados para conseguir as 171 assinaturas necessárias para apresentação de um Decreto Legislativo ao plenário para a convocação da consulta popular. "A realização de uma reforma política que elimine as distorções produzidas pelo poder econômico é uma bandeira empunhada há anos pelo PT. Não temos medo de ouvir o povo, por isso entendemos que o plebiscito é o instrumento mais adequado para responder às vozes que clamam por mudanças no sistema de representação do País", justifica o texto assinado por Guimarães.

O partido da presidente Dilma Rousseff trabalha para que as regras da reforma política que forem aprovadas este ano tenham validade já em 2014.

Curto-cricuito. A indicação de Vaccarezza para a coordenação provocou, nas palavras do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), um "curto-circuito" na maior bancada da Casa.

O deputado Henrique Fontana (RS) era o preferido dos petistas por ter sido o relator da última proposta de reforma política em tramitação na Câmara, mas Alves insistiu no perfil "conciliador" de Vaccarezza. Fontana então desistiu de participar do grupo como mero representante do partido e o PT o substituiu por Ricardo Berzoini (SP) a quem, segundo a nota, caberá defender as posições da sigla no grupo de trabalho.

Leia a íntegra da nota:

"Em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara reafirmo nossa posição unitária em defesa da realização de um plebiscito que leve a uma ampla e profunda reforma política no País.

Para tanto, faremos uma mobilização vigorosa visando arregimentar as 171 assinaturas necessárias para a apresentação do projeto de Decreto Legislativo (PDC) ao plenário da Câmara, para viabilizar o plebiscito. Essa iniciativa terá encaminhamento prioritário dentre as diversas ações da Bancada nas próximas semanas.

Em relação às opiniões formuladas pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), coordenador do Grupo de Trabalho destinado a estudar e elaborar propostas referentes à Reforma Política e à consulta popular sobre o tema, esclareço que elas não expressam o pensamento nem da Bancada na Câmara nem do Partido dos Trabalhadores.

As posições do PT e da Bancada no Grupo de Trabalho criado pelo presidente da Câmara serão defendidas pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), indicado pelos parlamentares petistas para compor o colegiado.

A realização de uma reforma política que elimine as distorções produzidas pelo poder econômico é uma bandeira empunhada há anos pelo PT. Não temos medo de ouvir o povo, por isso entendemos que o plebiscito é o instrumento mais adequado para responder às vozes que clamam por mudanças no sistema de representação do País. O plebiscito permitirá à sociedade brasileira interferir no processo e não apenas dizer sim ou não ao que membros das elites querem e como prega a oposição.

Diante disso, o Partido dos Trabalhadores e sua Bancada na Câmara não medirão esforços para dialogar intensamente com as entidades da sociedade civil e outros partidos políticos na busca de uma reforma política que contribua para estabelecer o financiamento público das campanhas e amplie os mecanismos de participação popular na vida político-institucional do país".

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