Líder do PT diz que procurador-geral foi mordido pela mosca azul

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), reagiu, nesta quarta-feira, com críticas e cobranças à denúncia encaminhada ontem pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontando a existência de uma organização criminosa que operou o chamado mensalão para garantir a manutenção do PT no poder. Chinaglia acusou o procurador de ter sido "mordido pela mosca azul" - expressão utilizada em relação a pessoas que passam a ambicionar o poder - e cobrou investigação sobre suposto superfaturamento na construção do prédio-sede do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília. Em discurso no plenário da Câmara, pontuado por ironias, o líder do governo contestou também conclusões da CPI Mista dos Correios."Usando a palavra da moda, causou-me estranheza que o procurador-geral da República chamasse o presidente da CPI dos Correios (senador Delcídio Amaral), bem como o seu relator (deputado Osmar Serraglio) e outros para anunciar à imprensa o seu trabalho. Penso que ali Sua Excelência talvez tenha sido mordido pela mesmíssima mosca azul de alguns que entram (na condição de) minhoca na CPI e imaginam saírem de lá como se fossem najas (espécie de cobra)", discursou Chinaglia."Homem destemido"O deputado levantou suspeita sobre a conduta do relator da CPI Mista dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), acusando-o de ter excluído do seu relatório tudo que foi produzido na comissão sobre as franquias da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)."O sub-relator pediu a quebra do sigilo de oito franquias, obteve de apenas duas e, dessas, descobriu que, num prazo de cinco anos, foram sacados R$ 8 milhões da boca do caixa. Por que o relator excluiu isso do seu parecer final?", questionou Chinaglia. "Será que Sua Excelência (Serraglio) introjetou a denúncia da oposição de que o Correio era comandado pelo PMDB, e então ficou com medo? Sua Excelência é homem destemido", afirmou Chinaglia.O líder do governo fez também elogios aos trechos em que a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) envolve o PSDB no esquema de Marcos Valério Fernandes de Souza e ao fato de o procurador Antonio Fernando ter deixado de fora do seu relatório o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Chinaglia ressaltou que o trabalho do procurador foi feito com independência.

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