Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líder do PT diz que partido quer demissão de Levy, Mercadante e Cardozo

Em reunião com líderes aliados nessa quarta-feira, Sibá Machado relatou insatisfação de petistas com os três ministros 

Carla Araújo e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 18h56

Brasília - O líder do PT na Câmara, Sibá Machado, expôs em uma reunião na noite da última quarta-feira, 23, a insatisfação de petistas com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) e com a política econômica de Joaquim Levy (Fazenda). Segundo aliados que participaram do encontro, Sibá chegou a afirmar que parte da legenda defende a saída de Mercadante e Cardozo. Sibá nega. "Nunca falei que tem um grupo que defende o afastamento. O que existe, e sempre falei isso, são integrantes do PT descontentes. Isso é verdade", afirmou. 

Participaram da conversa, que aconteceu na liderança do PT na Câmara e foi convocada de última hora, os líderes partidários Jandira Feghali (PC do B-RJ), Jovair Arantes (PTB-GO), Domingos Neto (Pros-CE), Rogério Rosso (PSD-DF) e Maurício Quintella Lessa (PR-AL).

No encontro, Sibá ainda sugeriu que os líderes tivessem com a presidente Dilma Rousseff uma conversa "franca" sobre o clima de impeachment na Casa e a reforma ministerial. Ao defender a saída dos ministros petistas da Justiça e da Casa Civil, Sibá ouviu a recusa de alguns líderes, que disseram que seus partidos não apoiariam a ideia. "Foi um desabafo inteligente para ver se conseguia apoio dentro da base", disse um dos deputados. 

Quintella Lessa afirmou que o intuito da reunião não foi debater a eventual saída dos ministros. "Jamais houve conversa com esse propósito. Sibá ligou, manifestou preocupação com a própria base, sugeriu visita à presidente para discutir a reforma", afirmou.

Sibá defendeu-se afirmando que não há conspiração e que ele tem a responsabilidade de ajudar o governo. "Por conta do clima que está, parece que qualquer reunião é porque a gente está conspirando", disse. "Tenho responsabilidade de ajudar a cuidar do governo pagando o preço que for, como sempre fiz".

Sibá disse ainda que a questão da "dança das cadeiras" ministerial é uma decisão apenas da presidente Dilma. "Quando fala de dança de cadeiras é com ela. Para dizer que tem que entrar fulano ou sair sicrano tem que ter responsabilidade. Isso é de foro íntimo da presidente", disse.

O líder do PT reconheceu que há reclamações em relação à postura de alguns ministros, mas fez questão de defender e se dizer "guardião" de Mercadante. "Respeito o Mercadante e ele sabe que sou o guardião dele aqui", afirmou. "O Mercadante pode ter o defeito que tiver, mas eu tenho um respeito do tamanho do mundo por ele". 

Defesa. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE) saiu em defesa da permanência dos três ministros. Segundo ele, os três são figuras fundamentais para o governo atualmente e estão "trabalhando muito pelo País". "São grandes ministros. É imprescindível a participação deles nesse momento de ajuste e de retomada de crescimento", afirmou.  "Como líder de governo acho que é um desserviço alguém chegar para a presidente e pedir cabeça desse ou daquele ministro", afirmou. 

Para Guimarães, entretanto, as críticas aos ministros "não são pelos seus defeitos, mas pelas suas virtudes". "Até porque, o Cardozo e o Mercadante são pessoas honradas, que prestam grande serviço", disse. 

O líder do governo reconheceu, porém, que a reforma ministerial pode causar insatisfações no partido. "Provavelmente se a presidente fizer uma reforma ampla e atingir o PT vai ter insatisfação, como terá em outros partidos, isso faz parte do jogo", disse. 

Guimarães destacou que é fundamental neste momento "todos darem crédito de confiança à presidente". "Ela está fazendo o melhor para nova governabilidade", disse. A presidente Dilma Rousseff está negociando com o PMDB e deve entregar até cinco pastas ao partido.

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