Líder do PT nega que estratégia da oposição seja deixar Temer 'sangrar'

Líder do PT nega que estratégia da oposição seja deixar Temer 'sangrar'

Oposição irá definir sobre estratégia sobre a votação na terça-feira; na certeza da vitória, aliados do Planalto tentam garantir quórum para 'enterrar' logo denúncia

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2017 | 20h01

BRASÍLIA - O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), rebateu nesta segunda-feira, 31, as críticas de que o partido não estava se empenhando para aprovar o seguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara porque seria melhor para o PT que o peemedebista "sangrasse" até 2018.

"Não existe essa conversa de deixar o presidente da República sangrar, porque a cada dia que passa ele prejudica mais a população brasileira, nós estamos vendo um verdadeiro desgoverno no País", disse. Nos bastidores do Congresso há uma avaliação de que para garantir uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, seria melhor para o PT que Temer continuasse no cargo e a crise se agravasse no próximo ano.

Zarattini, no entanto, nega que essa seja a intenção do partido e diz o PT já fechou questão e vai votar unido contra Temer. Ele também afirmou que o posicionamento do partido é que sejam convocadas eleições diretas caso o peemedebista seja afastado do cargo.

Segundo o líder petista, a estratégia em relação ao quórum vai ser discutida em um almoço com outras legendas da oposição, como PCdoB, PSOL e Rede nesta terça-feira. Ele não descartou que a votação da denúncia aconteça na próxima quarta-feira, mas há oposicionistas que defendem que os deputados não devem marcar presença e obstruir a realização da sessão. "Vamos conversar e buscar uma tática comum a todos os partidos", disse.

Zarattini afirmou ainda que o partido vai questionar o rito estabelecido para a votação pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia anunciou que daria início à votação com 342 deputados no plenário, mas o PT considera esse número baixo. "O presidente quer iniciar a votação com 342 deputados em plenário. Isso é um verdadeiro absurdo, porque isso significa que não haverá quórum suficiente para o afastamento do presidente. Vamos pleitear que essa votação se inicie com um número bem superior a 342", disse,

Para ele, o número ideal de deputados em plenário para iniciar a sessão seria entre 400 e 450 deputados. Para autorizar que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra uma investigação contra Temer é necessário o voto de 342 dos 513 deputados. O líder do PT também disse que vai questionar a possibilidade de ser apresentado um requerimento para encerrar a discussão após poucos debates e da não permissão para que os líderes dos partidos se manifestem durante a sessão.

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