ANDRE DUSEK/AE
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Líder do PT diz haver esforço desmedido e ilegal para atingir mandato de Dilma e figura de Lula

Afonso Florence afirma que o juiz Sérgio Moro, procuradores e a Polícia Federal não têm parcimônia nas investigações da Operação Lava Jato e atuam politicamente; para Arlindo Chinaglia, operação não fortalece impeachment

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2016 | 19h36

BRASÍLIA - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence (BA), acusou nesta segunda-feira, 22, o juiz Sérgio Moro, procuradores e a Polícia Federal de não terem parcimônia nas investigações da Operação Lava Jato e de atuarem politicamente para atingir o mandato do presidente Dilma Rousseff e a figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o petista, há um esforço para encontrar ilegalidades sem provas para incriminar o Partido dos Trabalhadores.

"Há um esforço desmedido e ilegal de agentes públicos para atingir o mandato da presidente Dilma, a imagem da pessoa do presidente Lula. Isso é evidente", disse. Ele criticou o foco das investigações no PT, nas contas de campanha de Dilma e a "busca malograda de pista" contra seu antecessor. O líder petista considera que as investigações têm como objetivo impedir que Dilma conclua seu mandato e que Lula seja impedido de disputar a sucessão presidencial de 2018. "É óbvio que é disso que se trata".

Para Florence, as instituições brasileiras tentam copiar o modelo da Operação Mãos Limpas italiana, mas às avessas. O deputado chegou a comparar a situação de hoje com os acontecimentos que antecederam o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas e o golpe militar que derrubou o ex-presidente João Goulart. "Querem ganhar no tapetão agora", concluiu.

O petista reclamou que há delações premiadas, com supostas provas contundentes, contra o ex-presidente do PSDB, o ex-deputado Sérgio Guerra (PE), morto em 2014, e o atual dirigente nacional da sigla, senador Aécio Neves (MG), que foram arquivadas antes que houvesse vazamento das informações. Em sua avaliação, há "acobertação" de denúncias envolvendo a oposição e ataque "vil e ilegal" contra Lula. "Vestiram a camisa do PSDB e do DEM para atacar o PT", declarou.

Florence ressaltou que as contas da campanha presidencial de Dilma em 2014 foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que não encontrou indícios de corrupção. "Se essas contas são objetos de investigação e o marqueteiro do PT é instado a se pronunciar dessa forma, causa surpresa, perplexidade e repulsa a todo defensor da democracia que as contas do PSDB sejam tratadas dessa forma", enfatizou.

O líder do PT disse que virou rotina a "extrapolação de atribuições por alguns agentes públicos" e que houve exagero na decretação da prisão do marqueteiro João Santana. Ele lembrou que a defesa do marqueteiro pediu acesso às investigações, mas que o pedido foi negado. "É óbvio que há um exagero, que há ilegalidade", emendou.

De acordo com o petista, os movimentos das autoridades públicas que comandam a Lava Jato têm "dimensão midiática, que deveria ter parcimônia". Ele disse que há uma "sanha de recém ingressados no poder público por concurso de atacar pessoas que têm a legitimidade do voto popular" sem provas.

Em uma entrevista de aproximadamente 20 minutos, Florence afirmou que não há indícios consistentes contra o PT, apenas ilações. "Tudo tem de ser investigado, não só o PT", defendeu. Ele criticou a condenação prévia de seu partido e disse que os investigadores "já passaram dos limites há algum tempo" por não darem tratamento isonômico entre os investigados.

Aniversário do PT. O líder do PT disse estranhar o timing da ação, na semana em que há uma série de eventos comemorativos do partidos e no momento em que se discute a remessa de recursos ao exterior pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Virou rotina atacar", afirmou.

Apesar de incluir a Polícia Federal em suas críticas, Florence negou que a operação desta segunda-feira dificulte a situação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, geralmente alvo de críticas no PT. "Hoje, temos a blindagem do PSDB e a condenação prévia do PT, sem provas", afirmou.

Impeachment. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) também falo nesta segunda-feira sobre a nova fase da Lava Jato. Para ele, a Operação Acarrajé não fortalece o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

"Não necessariamente é mais um golpe para o governo. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) - agindo dentro da lei - têm todo o dever de investigar. Nós temos que aguardar o resultado das investigações. Antecipar a responsabilidade da Presidência da República é uma especulação indevida", afirmou, após participar de evento promovido pelo banco JPMorgan em São Paulo.

De acordo com Chinaglia, existe uma "velha tese" de que as contribuições para alguns partidos têm origem criminosa, enquanto, para outros, legal. "As empresas envolvidas na Lava Jato contribuíram com vários partidos em diversas campanhas, então, que se investigue tudo", afirmou.

 

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