André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Líder do PT defende 'requalificação da coalizão' do governo

'A coalizão precisa ter consistência, não pode ser uma coalizão pontual. Tem que ser uma coalizão que discuta o Brasil, que discuta projeto. Ou é isso ou então a coalizão fica arruinada', disse José Guimarães

Ana Fernandes, Vera Rosa e Ricardo Galhardo, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 20h01

Salvador - Um dia depois da aprovação da convocação do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, para depor na CPI da Petrobrás, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse ser favorável à "requalificação da coalizão" que sustenta o governo. "A coalizão precisa ter consistência, não pode ser uma coalizão pontual. Tem que ser uma coalizão que discuta o Brasil, que discuta projeto. Ou é isso ou então a coalizão fica arruinada", disse a jornalistas no congresso do PT, em Salvador.

O líder disse falar com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) "toda hora" e que o PMDB deveria ajudá-lo a promover essa coalizão em cima de projetos e não ponto a ponto da pauta no Congresso, como é feito semanalmente. "O PMDB não coordena a articulação política do governo? Ele que tem que patrocinar comigo (essa coalizão requalificada)."

Guimarães negou que o presidente Lula tenha ficado "bravo" com os deputados petistas, por não terem articulado melhor na CPI e evitado a convocação de Okamotto. Ele afirmou que não houve esse tom de cobrança nas conversas que o ex-presidente teve com representantes da bancada pela manhã, durante o evento petista na capital baiana. "Não vi essa 'braveza' (em Lula)", disse Guimarães. 

Sobre a movimentação na CPI, o líder governista disse que incomoda à bancada petista o uso de critérios diferentes para o Instituto Lula e para o Instituto Fernando Henrique. "O que revolta a bancada do PT é que são dois pesos e duas medidas. Isso não é razoável para quem usa o discurso de querer apurar", argumentou. Ele disse ainda estar "errado" o uso de apurações seletivas pela CPI e pela Polícia Federal. Mas negou que haja uso político da PF. "O uso político é pela oposição."

A CPI da Petrobrás aprovou ontem a convocação de Okamotto para que ele dê explicações sobre doações de R$ 3 milhões da Camargo Corrêa ao Instituto Lula. Os repasses são investigados pela operação Lava Jato, da Polícia Federal. Petistas argumentam que o instituto do ex-presidente tucano FHC recebeu até três vezes mais doações da mesma empreiteira

CPMF. Guimarães confirmou que há uma decisão da corrente majoritária de retirar do texto-base do Congresso do PT a defesa da volta da CPMF - o que ainda será votado pelos delegados. "Vai (sair do texto), porque são várias ideias. Não há consenso no PT ainda para estabelecer se vamos criar essa ou aquela contribuição."

Petistas têm articulado para a criação de uma contribuição aos moldes da CPMF, mas que taxasse apenas as classes mais ricas.

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