Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líder do PSL defende militares e diz que Bolsonaro tem que dar um basta no ‘astrólogo’ Olavo

Em entrevista à Rádio Eldorado, Delegado Waldir afirma que o governo precisa parar de “discutir ideologia” e formar base no Congresso

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2019 | 10h43

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir (GO), criticou a influência que o escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família Bolsonaro, tem sobre o governo. Em entrevista à Rádio Eldorado na manhã desta segunda-feira, 22, o deputado defendeu os militares, atacados em vídeo por Olavo durante o feriado da Páscoa. “O mais absurdo é um 'guru' que vive nos EUA atacar o governo e os militares. O presidente (Bolsonaro) não pode ficar à mercê dessas pessoas e pegar a opinião do 'louco do dia'", disse.

Segundo Waldir, Bolsonaro tem que “dar um basta nesse astrólogo” que comanda dois ministérios (Educação e Relações Exteriores), pois as pessoas querem Educação, Saúde e Segurança." E emendou: "Basta de discutir ideologia. Todo mundo espera isso do Brasil. Temos de dar um passo à frente, gerar emprego. Sou Bolsonaro de carteirinha, mas é preciso o governo parar de discutir o 'sexo dos anjos' com um futurólogo que mora nos EUA, é um trem muito absurdo isso."

Durante a entrevista, o líder do partido do presidente também criticou a condução da articulação política do governo que, em tese, deveria ser costurada pelo titular da Casa Civil, ministro Onyx Lorenzoni. "O PSL tem feito sua parte, mas não tem culpa se o Onyx não criou a base. Venho falando há tempos que o governo não tem base no Congresso", afirmou.

Waldir também reconheceu que um dos maiores entraves para a aprovação da reforma da Previdência é aposentadoria dos militares. "Não sou contra a reforma dos militares, mas precisamos tratar as carreiras de forma igualitária", emendou. E voltou a fazer uma alusão 'ao abacaxi' que a proposta representa, dizendo que a "faca para descascar esse abacaxi" ainda não chegou ao Congresso.

Depois de classificar Maia, em uma entrevista para o Estado, como uma espécie de primeiro-ministro, Delegado Waldir disse que ele é quem tem o poder de capitalizar a maioria dos votos necessários para aprovar essa reforma na Câmara dos Deputados. "A reforma é a que o Rodrigo Maia quer e não a que o governo quer", resumiu.

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