Líder do PSDB rebate ministra e diz que 'know-how' de fabricar boatos é do PT

Aloysio Nunes Ferreira (SP) relembrou escândalo dos aloprados após Maria do Rosário (Direitos Humanos) dizer que oposição estaria envolvida em tumulto causado sobre fim Bolsa Família

Ricardo Brito e Débora Álvares

20 de maio de 2013 | 16h45

Brasília - O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), rebateu as declarações da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de que teria partido da oposição o rumor sobre o fim do Bolsa Família. Ao comentar o assunto, na tarde desta segunda-feira, 20, o tucano afirmou que o PT é que tem "know-how" de fabricar boatos.

 

No início da manhã, a ministra escreveu em seu perfil no Twitter que as informações deveriam ser "da central de notícias da oposição". "Que central de boatos é essa? E que autoridade tem a ministra, membro do PT, de ser fabricante de boatos", disse Ferreira, em discurso na tribuna do Senado. O tucano lembrou o escândalo dos aloprados, no qual, nas eleições de 2006, integrantes do PT foram presos acusados de comprar um dossiê que tentava ligar o ex-governador José Serra (PSDB) à máfia dos sanguessugas.

 

O líder do PSDB disse que uma ministra de Estado, pelo cargo que ocupa, tem obrigação moral e ética de ter circunspecção com as palavras. "Não se recomenda ninguém a falar demais. Quem fala demais, dá bom dia a cavalo", criticou ele, que se disse perplexo e profundamente indignado.

 

O tucano afirmou que considerava Maria do Rosário "de boa fé". "Não considero mais", disse, ressaltando que, até o momento, não houve nenhuma indicação formal de um pedido de "desculpas públicas". Ele declarou que, embora ela tenha dito que não queria politizar a questão, já politizou.

 

"Isso é próprio de quem considera que a oposição não é parte do jogo democrático", afirmou o líder do PSDB. "Não terá sido um ato do próprio governo para se vitimizar?", questionou em plenário o presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN).

 

Aloysio Nunes Ferreira destacou que o líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP), já apresentou um requerimento para trazer a ministra ao Congresso para explicar a declaração.

 

PPS. Em nota, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), também classificou de "irresponsável" a declaração da ministra. "Quem manipula informações sobre o programa são os governistas que, em época de eleição, afirmam que, caso a oposição seja eleita, vai pôr fim a ele", disse Freire.

 

"A oposição brasileira é muito responsável e não faz esse tipo de coisa; já a ministra é de uma irresponsabilidade que não tem tamanho, para falar em nome do governo e dizer essas aleivosias", declarou Freire, ao rechaçar as acusações.

 

Também em nota, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), disse que Maria do Rosário segue a cartilha da mentira e dos dossiês falsos do PT. "Depois de Lula, agora a presidente Dilma também tem sua aloprada de estimação", ironizou.

 

O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), classificou como "leviandade" as afirmações e cobrou que a ministra apresente nomes.

 

 

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