Líder do PSDB pede que Cardozo que 'fique quieto'

Brasília, 26/11/2013 - Em um discurso inflamado da tribuna do Senado, o líder do PSDB na Casa, Aloysio Nunes Ferreira (SP), acusou nesta terça-feira, 26, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de atrapalhar as investigações sobre as denúncias de corrupção e formação de cartel no metrô em São Paulo. No final da manhã, a cúpula do PSDB pediu a demissão de Cardozo por entender que ele não tem mais isenção para conduzir o episódio à frente da pasta.

RICARDO BRITO, Agência Estado

26 de novembro de 2013 | 17h37

"O ministro da Justiça, que conheço há muitos anos, está atrapalhando a investigação. Ele deveria se conduzir com mais sobriedade. Ele está trazendo para a rinha política adversários do seu partido para que nós, na nossa defesa, apaixonada e indignada, possamos elevar o tom político dos acontecimentos, o que é inevitável. Nesse sentido, ele está atrapalhando as investigações", afirmou.

Foi o ministro da Justiça, conforme revelou o Estado na semana passada, quem repassou para a Polícia Federal um relatório com as denúncias. O PSDB sustenta que o PT tem usado o caso dos cartéis para jogar uma "cortina de fumaça" no episódio da prisão dos condenados do partido no escândalo do mensalão.

Aloysio Nunes Ferreira pediu que Cardozo "fique quieto" e se concentre no papel de ministro "que não é chefe da Polícia Federal", que, na opinião dele, é comandada em seu papel investigativo pela Justiça Federal. Um dos citados como tendo relacionamento "estreito" com uma empresa suspeita de pagar propina no esquema do cartel, o que ele nega, o tucano disse que querem enxovalhar ele e o restante do partido.

"Agora, eu não tenho como me defender, mesmo porque não fui acusado de nada. Outros foram acusados de receber propina falsamente, tenho certeza, mas eu, sequer, fui acusado de nada, e, no entanto, apareço, aos olhos dos brasileiros, como tendo feito parte de um esquema, um esquema crapuloso, um esquema indecente. É isto que eu não posso tolerar", disse.

Apartes

Em apartes, senadores da oposição e da base aliada prestaram solidariedade ao líder tucano. O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que há uma "acusação cavilosa" de tentar igualar as denúncias de cartel em São Paulo aos condenados no escândalo do mensalão. Para ele, é preciso separar o joio do trigo.

O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) disse que a oposição já está acostumada a esse tipo de situação. "Toda vez a melhor defesa é o ataque, vamos mudar o foco", criticou. "Não que nós queremos esconder qualquer coisa, muito pelo contrário. As coisas têm que ser cristalinas, não em pílulas, fatiadas. Agora manchar a sua história jamais será feito e jamais nós vamos deixar", completou.

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), disse lamentar "muito" o fato e defendeu que o tucano tenha acesso a todas as informações sobre as denúncias de formação de cartel de empresas no metrô. "Eu espero é que se evite tanto em relação a Vossa Excelência como em outros casos que se faça o pré-julgamento como têm ocorrido", afirmou.

O senador Armando Monteiro (PTB-PE) classificou de "absolutamente leviano" o envolvimento do nome do líder do PSDB no episódio. "Vossa excelência é um dos patrimônios éticos da política brasileira", afirmou. "Eu boto minha mão no fogo por Vossa Excelência", completou. "Vossa Excelência não é um gigante do pé de barro, Vossa Excelência é um gigante de pés sólidos", fez coro o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que chamou de "covardia" o que tem ocorrido com o tucano.

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