Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líder do PSDB pede abertura de inquérito contra Traumann

Para tucano, ministro cometeu improbidade ao ‘misturar estruturas de Estado com órgãos partidários’ em documento interno sobre comunicação

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 19h40

Atualizado às 21h25

Brasília - O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), protocolou nesta sexta-feira, 20, representação junto à Procuradoria da República do Distrito Federal pedindo a abertura de inquérito civil contra o ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O tucano alega que o ministro praticou improbidade administrativa ao produzir um documento cujo objetivo, segundo ele, seria promover a imagem pessoal da presidente Dilma Rousseff em um contexto político-eleitoral. 

No documento reservado do Palácio do Planalto revelado pelo Estado, a Secom apontava uma comunicação “errada” e “errática” do governo. Entre alguns pontos, o texto afirmava que os apoiadores de Dilma estavam levando uma “goleada” da oposição nas redes sociais e apontava como solução para reverter o “caos político” agravado pelos protestos de 15 de março o investimento maciço em publicidade oficial em São Paulo, cidade administrada pelo petista Fernando Haddad, e onde se concentra hoje a maior rejeição ao PT. “Não será fácil virar o jogo”, previa o texto. 

Na avaliação do líder do PSDB, o ministro usou a máquina administrativa e os recursos públicos em favor do projeto de poder do PT. “Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente”, afirmou o tucano em nota. Entre as sanções ao qual o ministro está sujeito, em caso de condenação, está a perda da função pública. 


O documento que circulou entre ministros, dirigentes petistas e assessores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era dividido em três partes: “Onde estamos”, “Como chegamos até aqui” e “Como virar o jogo”. Na primeira, o governo elaborava um diagnóstico do momento e admitia equívocos de ação, principalmente nas redes sociais. “A comunicação é o mordomo das crises. Em qualquer caos político, há sempre um que aponte ‘a culpa é da comunicação’. Desta vez, não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática. Mas a crise é maior do que isso”, diagnosticava. 

Apesar da constatação, a Secom tentava dividir o ônus da crise. “Ironicamente, hoje são os eleitores de Dilma e Lula que estão acomodados com o celular na mão enquanto a oposição bate panela. Dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas”, dizia o material do governo, que também apontava o isolamento da presidente e falava do sentimento de “abandono e traição” entre os dilmistas. O ministro tirou seis dias de férias, pré-agendadas, na quarta-feira. 

Mistura. O líder do PSDB considerou que o ministro envolveu pessoas alheias à administração pública, como o PT, blogueiros e o Instituto Lula, em ações governamentais. “O PT mistura as estruturas de Estado com órgãos partidários, como fez neste caso, ao dividir as atribuições da secretaria com o Instituto Lula e a sua agremiação partidária.”

Para Sampaio, ao produzir o documento, o ministro extrapolou as atividades da Secom, que deveriam estar relacionadas às atribuições exclusivas da Presidência da República. “Esse proceder do ministro ofende os princípios da impessoalidade e da legalidade e, por consequência, faz com que ele incorra no disposto no artigo 11 da lei 8.429/92”, disse o tucano. 

Tudo o que sabemos sobre:
Carlos SampaioPSDBThomas Traumann

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.