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Líder do PSDB no Senado critica ação da PF que prendeu Paulo Bernardo

Para Cássio Cunha Lima (PB), um juiz de primeiro grau não teria autorização para busca e apreensão no apartamento da senadora Gleisi Hoffmann em Brasília, poder restrito ao STF

Isabela Bonfim e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2016 | 17h39

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), criticou a ação da Polícia Federal que prendeu o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), nesta quinta-feira, 23. A Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato, fez busca e apreensão no apartamento funcional de Gleisi em Brasília.

"É um abuso. Um juiz de primeiro grau não tem autorização para busca e apreensão no apartamento funcional de uma senadora. Só quem poderia autorizar essa ação é o Supremo", afirmou Cunha Lima, que é advogado de formação.

O senador confirmou que conversou com Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos principais porta-vozes do PT no Senado, antes do início da sessão da Comissão Especial do Impeachment na manhã desta quinta, 23. Durante a reunião, que já dura mais de quatro horas, ninguém fez qualquer comentário a respeito da ação da PF que atingiu a senadora e o PT. 

"É um constrangimento. Por mais que o embate político seja duro, há uma família por trás disso. Não há motivo para tripudiar, não tenho razão para soltar fogos pela prisão de ninguém. Há um limite de embate político e de respeito à pessoa humana", afirmou Cássio.

O senador relembrou que, apesar das críticas, também foi contrário à condução coercitiva do ex-presidente Lula e ao vazamento das gravações entre Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff, que intensificaram os movimentos pró-impeachment.

Acordo. O tucano negou qualquer pacto de não-agressão entre os partidos no Senado após a ação da Polícia Federal. O PSDB também foi atingido na última quarta-feira, 22, com a divulgação de vídeo em que o ex-presidente do partido, Sérgio Guerra, negociava pagamento de propina para encerrar a CPI da Petrobrás.

"Não houve nada combinado. Apesar de políticos, somos gente. É preciso ter o mínimo de compreensão com a dor alheia. O silêncio dos senadores, é um silêncio respeitoso", disse.

O tucano aproveitou para rebater as declarações de Lindbergh que, mais cedo, disse que a motivação da ação da PF era política e que estranhava o fato de ter acontecido em seguida ao caso Sérgio Guerra.

"Essas teorias conspiratórias só demonstram o grau de deslocamento da realidade. O PT faz com essas operações se transformem em chiclete e escolhem de que lado vão morder. Eles afirmam que a ação é correta ou política quando convém", acusou.

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