Líder do PSDB cobra explicações de ministros do STF

No diálogo, ministros discutem os votos que darão sobre a denúncia da Procuradoria no caso do mensalão

CIDA FONTES, Agencia Estado

23 de agosto de 2007 | 13h31

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, cobrou explicações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmem Lúcia e Ricardo Lewandowski, sobre os diálogos, via internet, divulgados  pelo jornal O Globo, durante sessão de quarta do julgamento da admissibilidade da denúncia contra envolvidos no esquema do mensalão.    Veja Também: Tudo sobre o mensalão  'Nunca vi esse tipo de diálogo', diz ministro sobre troca de mensagens  Fotógrafo flagra conversa entre ministros e STF proíbe fotos  STF tem segundo dia de julgamento do mensalão    O tucano considerou grave o episódio e afirmou que aguarda "com respeito de sempre", as explicações cabais. "É uma instituição que reverencio e acima de tudo não questiono os julgamentos que são feitos pela Corte. Mas os diálogos devem ser explicados, para não pairar suspeitas", afirmou. Na troca de mensagens, os ministros do STF dão indícios de que só aceitarão parte da denúncia.     O diálogo entre os ministros começou durante a sustentação oral do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. No bate-papo, que durou horas, os ministros também dão indícios de que pretendem rejeitar parte da denúncia, desqualificando crimes apresentados pela Procuradoria a alguns de seus acusados.   "Minha dúvida é quanto ao peculato em co-autoria ou participação, mesmo para aqueles que não são funcionários públicos ou não tinham a posse direta do dinheiro", diz Lewandowski, se referindo às acusações contra José Genoino(então presidente do PT) e Silvio Pereira (ex-secretário do PT).   Julgamento   O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou na última quarta-feira o julgamento do pedido de abertura do processo contra os 40 acusados no escândalo do mensalão.    A decisão terá peso no futuro político dos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Anderson Adauto (Transportes), dos deputados petistas José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP) e dos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares (ex-tesoureiro) e Sílvio Pereira (ex-secretário-geral do partido).   Na abertura da sessão da última quarta-feira, o relator, ministro Joaquim Barbosa, leu um relatório de 50 páginas. Em seguida, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia, fez a sustentação oral, por cerca de uma hora.   Após a fala do procurador, 12 advogados apresentaram defesas dos denunciados. Entre as principais, está o advogado José Luiz Oliveira Lima, do ex-ministro José Dirceu, que  argumentou que a denúncia não deixou claro quais os crimes o seu cliente teria praticado e que a denúncia é uma "peça de ficção." Nesta quinta, outros 15 advogados se inscreveram para apresentar suas defesas.   A série de sessões só termina na sexta-feira ou na segunda-feira, em um total de até quatro sessões.        

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