Líder do PMDB queixa-se da relação com Planalto

Henrique Eduardo Alves falou em falta de respeito e exigiu cronograma para liberação das emendas dos parlamentares

Tânia Monteiro, Agência Estado

15 de agosto de 2011 | 18h37

Em uma clara demonstração de que o clima entre a base aliada e o governo continua tenso, agravado pelas prisões de servidores do Ministério do Turismo na operação Voucher da Polícia Federal (PF), o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), subiu o tom contra o Planalto e exigiu um cronograma de liberação de emendas. As ameaças veladas de uma possível rebelião da base foram feitas após o líder participar da cerimônia de posse do novo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, no Palácio do Planalto.    

"A falta de clareza, de franqueza, de respeito ao parlamento pode criar insatisfações graves", avisou o líder. As reclamações envolvem a demora do governo em liberar as emendas e também a definição dos cargos de segundo escalão. A preocupação com as possíveis rebeldias e ameaças dos aliados foi um dos principais temas da reunião de coordenação de governo, comandado pela presidente Dilma Rousseff, na manhã desta segunda-feira, 15.    

 

Além de resistir em apresentar o cronograma de desembolso completo da primeira parcela de R$ 1 bilhão de emendas, o Planalto também evitou falar na ampliação do volume de recursos. Os parlamentares, por sua vez, lembram que há mais de R$ 7 bilhões apenas de emendas individuais. Ou seja, a rebelião que começou com a insatisfação do PR agora se propagou para o PMDB.    

O deputado Henrique Eduardo Alves afirmou que os parlamentares não estão pedindo favor ao governo pela liberação, pois as emendas fazem parte do Orçamento. "A gente quer a execução da lei orçamentária que nós aprovamos no Congresso. Não é concessão do governo. Não é regalia de parlamentar. É lei", desabafou. O líder peemedebista cobrou ainda do Planalto a divulgação de um calendário com cronograma de distribuição das emendas até o final do ano. Para ele, a ação promoveria "uma descontração entre a base e o governo". 

 

Cronograma. Questionado se os problemas entre base aliada e governo poderiam levar à suspensão de votações importantes para o Planalto, como a da prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), o líder negou qualquer boicote ao governo. "Não faremos nada que comprometa as medidas fundamentais do novo governo e fundamentais para o nosso País, mas podem ocorrer manifestações que faríamos até que o parlamento tenha o respeito que nós queremos".   

 

No Planalto, as informações que circulam é que o frágil momento econômico da economia mundial prejudica as liberações das emendas. Embora o governo assegure que a situação é de tranquilidade no País, o discurso enfatiza a necessidade do controle de gastos e da manutenção do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, anunciado no início do ano.

 

 

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