Líder do PMDB nega que apoio à CPI da Petrobrás seja retaliação ao governo

Após irritar o Planalto durante a votação da MP dos Portos, Eduardo Cunha minimiza fato de 63% dos deputados da sigla assinarem pedido de investigação e se diz 'leal' ao governo

Ricardo Brito - Agência Estado

24 de maio de 2013 | 12h49

Brasília - O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), negou que o pedido de criação da CPI da Petrobrás seja uma retaliação ao governo federal. "Não há nenhum gesto deliberado" disse ele, em entrevista nesta sexta-feira, 24. "Estão superfaturando a minha atuação", rebateu. Das 199 assinaturas apresentadas, os deputados do PMDB foram os responsáveis pelo maior apoio entre os partidos, com 52 nomes.

 

Ao todo, 63% dos 82 parlamentares da bancada do partido subscreveram o pedido. Cunha afirmou que o pedido de abertura da comissão de inquérito foi protocolado na semana passada e não ontem, como foi publicado. Segundo ele, a criação da CPI não tem qualquer ligação com a atuação dele na semana passada durante a votação da Medida Provisória dos Portos, quando entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto.

 

"Refuto qualquer associação com o fato da semana passada. Não é uma atitude de retaliar", disse, ao destacar que não há qualquer "natureza partidária" o pedido de CPI e que ninguém recolhe quase 200 assinaturas em cinco minutos. Embora não tenha subscrito o pedido, ele disse que o PMDB e outros partidos da base deram apoio à criação da investigação parlamentar.

 

O líder peemedebista classifica como um "erro" quererem enquadrá-lo como o principal rebelde da base aliada na Câmara. "É um erro porque todos os meus gestos têm sido de lealdade. O fato de eu divergir pontualmente não quer dizer que sou inimigo", afirmou ele, ao ressaltar que, quanto mais se fala isso, maior a "indisposição de dialogar".

 

Questionado se acha legítimo a abertura da CPI, que tem por objetivo apurar a venda de ativos da estatal no exterior, Eduardo Cunha disse não ter lido o requerimento de criação para dar uma opinião. "Prefiro ficar ausente desse debate. Como é um parlamentar do PMDB um dos autores do pedido (Leonardo Quintão, de Minas Gerais) e ele teve o apoio de boa parte da bancada, eu vou seguir a orientação da bancada", disse, ao admitir que o gesto do colega de partido "incomoda".

 

O líder peemedebista contou que, numa reunião da bancada há um mês, disse aos colegas de partido que não pediria para ninguém assinar o pedido de abertura da CPI, mas também não iria "impedir a atividade parlamentar". São necessárias pelo menos 171 assinaturas para se criar uma comissão de inquérito. Mas, até a sua instalação, elas podem ser retiradas e a CPI não ser aberta.

 

Num recado indireto à falta de diálogo dos deputados com o governo, Eduardo Cunha disse que é preciso aprender o debate, a construção e a articulação. Perguntado se o debate está interditado, ele respondeu. "Eu diria que ele não estava sendo feito da forma adequada. Tudo na vida tem que ter correção de rumos", afirmou, ao destacar que até ele erra.

 

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