Gustavo Lima/ Ag. Câmara
Gustavo Lima/ Ag. Câmara

Líder do PMDB indicará à Comissão Especial ele próprio e mais 4 contra impeachment

Partido de Temer terá maioria de representantes que hoje são contrários ao afastamento de Dilma, definidos por Picciani como ‘moderados’

Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2015 | 11h42

Brasília - O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), já decidiu pelo menos cinco dos oito deputados do partido que poderá indicar para a comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, deflagrado na última quarta-feira, 2, na Casa. 

São eles: o próprio Picciani e os deputados Hildo Rocha (MA), João Arruda (PR), José Priante (PA) e Washington Reis (RJ). Todos são do grupo de peemedebistas classificados pelo líder do partido como "moderados". Na definição de Picciani, "moderados" são aqueles que já se declararam, nos bastidores, contra o processo de impedimento da presidente; "radicais" são os que defendem o impeachment. 

Apesar de ser considerado "moderado" por Picciani, Hildo Rocha se mostrou a favor ao impeachment recentemente. Ele já chegou a postar em sua conta no Twitter comentário defendendo o afastamento de Dilma. O deputado, que já se posicionou contra o impedimento da presidente, disse ter mudado de opinião após parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) pela rejeição das contas da petista de 2014. Justamente um dos elementos que embasam o pedido de impeachment feito pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal e aceito pelo presidente da Câmara.

As outras três vagas serão escolhidas até o fim da tarde desta segunda-feira e deverão ser destinadas a peemedebistas considerados por Picciani como mais "radiciais", ou seja, favoráveis ao impeachment. O prazo para os líderes anunciarem seus indicados termina às 18h desta segunda.

Pelo critério da proporcionalidade, PT e PMDB terão o maior número de representantes: oito cada. O partido de Dilma terá os líderes da bancada, Sibá Machado (AC), e do governo, José Guimarães (CE), na Comissão Especial, além de veteranos da Câmara como Arlindo Chinaglia e Carlos Zarattini, ambos de São Paulo.

Outros partidos aliados  do governo tendem a indicar seus próprios líderes para o colegiado, como o PSD de Rogério Rosso (DF). Na oposição, o PSDB fez o mesmo, com Carlos Sampaio (SP), líder da bancada, e Bruno Araújo (PE), líder da minoria na Câmara. O DEM, porém, deve adotar outra estratégia. "No meio de uma disputa dessa, líder tem de ser generoso", disse ao Estado Mendonça Filho (DEM-PE), que reconheceu a importância das indicações do PMDB na Comissão Especial e no comportamento em plenário para uma definição sobre o afastamento ou não de Dilma. "A chave de toda a coisa é o PMDB. É o PMDB que terá peso na evolução do processo do impeachment", disse o líder do DEM.

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