Líder do PMDB fala em ‘apoio maciço’ a mínimo de R$ 545, mas admite algumas ‘dissidências’

Henrique Eduardo Alves elogia política adotada desde o governo Lula e diz que PMDB deve caminhar junto

Renato Andrade,

13 de fevereiro de 2011 | 18h01

O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), diz que espera apoio maciço de seus colegas de partido à proposta de elevação do salário mínimo para R$ 545, que será votada na quarta-feira. Mas Alves reconhece que essa adesão não será completa. "É natural que tenha dissidências, até porque alguns membros do partido votaram no Serra." Durante a campanha presidencial, o ex-governador tucano José Serra (SP) defendeu um mínimo de R$ 600. A seguir os principais trechos da entrevista:

 

 

O que o senhor espera de seus colegas de partido na votação do mínimo?

 

Espero uma posição coerente de votar a favor de uma política que vem dando certo e que deu muitos votos ao PMDB durante as eleições. Emoções à parte, a política do salário mínimo adotada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu certo e a posição do PMDB tem que ser de apoio a ela.

 

 

O Planalto está confiante no apoio do PMDB. O que foi o que o sr. prometeu e gerou esse entusiasmo?

 

Almocei com os ministros Antônio Palocci (Casa Civil) e o Luiz Sérgio (Relações Institucionais) na quinta-feira e mostrei que a defesa inicial do governo, de elevar o mínimo para R$ 540, não era correta. O ministro Guido Mantega (Fazenda) até reagiu mal, dizendo que iria vetar qualquer coisa acima disso. Mas depois o governo corrigiu e passou a defender um salário de R$ 545, que é coerente com a política que vem sendo praticada.

 

Apesar da promessa de apoio, muitos parlamentares defendem um reajuste maior. Isso será um problema para o PMDB chegar à votação com uma posição coesa?

 

Respeitamos aqueles que acreditam que o salário deveria ser um pouco mais - R$ 560 ou R$ 600. Mas não podemos esquecer que a política de reajuste levará o mínimo para R$ 613 em janeiro do próximo ano. Não podemos ter a cada ano um mecanismo diferente de ajuste do salário.

 

 

Teremos então votos contrários ao Planalto vindos do PMDB?

 

 

É natural que tenha dissidências, até porque alguns membros do partido votaram no (José) Serra, que defendeu durante a campanha um salário de R$ 600.

 

 

A votação é o primeiro teste do governo Dilma no Congresso ou o primeiro teste do governo PT-PMDB?

 

 

Acho que o desafio é do Brasil, não é do governo Dilma. O desafio é apoiar uma política de reajuste aprovada pelo País.

 

 

O voto aberto pode coibir os dissidentes?

 

 

É bom que a votação seja aberta. Na questão do salário mínimo não podemos ter uma posição clandestina, envergonhada. Se alguém acha que é sustentável para o governo federal, para os Estados e municípios arcar com um salário maior, é preciso expor seu ponto de vista e mostrar o que pensa. Respeito as naturais dissidências, mas espero uma defesa maciça do PMDB na votação desta semana.

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