Líder do PMDB diz que petistas têm responsabilidade por escolha de pastor

Eduardo Cunha (PMDB): 'Se comissão pode ter presidente que seja a favor do casamento gay, também pode ter gente que seja contra'

Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo

07 de março de 2013 | 18h59

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), afirma que a responsabilidade pela escolha do pastor Marco Feliciano (PSC) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos é do PT e de seus aliados. Cunha, que também é evangélico, diz que os deputados petistas e de outros partidos tiveram oportunidades de comandar a comissão, mas não o fizeram.

"Quem está protestando teve a oportunidade de pegar a comissão. Não pegou porque não quis. O PT teve três escolhas e não fez isso. O PC do B teve escolha antes, o PV, o PPS, então por que agora querer estigmatizar quem pegou?", questiona.

Cunha afirma que a escolha de Feliciano é "legítima" e que não há "a menor possibilidade" de mudança na presidência da comissão.

"Se você pode ter na Comissão de Direitos Humanos gente que seja a favor do casamento gay presidindo, também pode ter gente que seja contra", declara. "Se o Marco Feliciano está apto para ser parlamentar, por que não pode presidir a comissão?"

Leia abaixo a entrevista dada ao Estado pelo líder do PMDB:

O PMDB concorda com a escolha de Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos?

Se o Marco Feliciano está apto para ser parlamentar, porque não pode presidir a comissão? Ele e qualquer outro membro pode presidir a comissão. Todos os parlamentares que lá estão no Congresso Nacional são aptos a presidir e exercer qualquer cargo - para isso eles foram eleitos. Nós não podemos impor vetos. Eu sou contra você ter qualquer tipo de veto a qualquer um.

As convicções religiosas do pastor podem influenciar sua atividade?

O presidente da comissão não é o dono da comissão. A comissão é composta de 15 ou 16 membros. O presidente não é majoritário na comissão. O fato de ele ter algum tipo de opinião não significa que o País será conduzido da forma como o presidente pensa. Então é questão de debate. Todos têm direito de ter suas ideias e se manifestarem. É a democracia.

O sr. integra a bancada evangélica. A religião não influencia sua ação política?

Eu não misturo a parte religiosa com a parte política em nenhum momento. Eu sou um político evangélico. Os temas que são temas importantes ao meio evangélico vão sempre contar com o meu apoio. Eu sou declaradamente contra o aborto, declaradamente contra a legalização do casamento gay. O fato de eu pensar assim não significa que todos devam pensar assim. Agora, se você pode ter na Comissão de Direitos Humanos gente que seja a favor do casamento gay presidindo, também pode ter gente que seja contra. A pauta de direitos humanos é uma pauta muito maior do que essa. Alguém está se preocupando com a violência na adolescência, com as agressões sexuais, com as agressões a mulheres, racismo? Há muitas maneiras de que os direitos humanos são aviltados no nosso País. Não é só por discussão de legalizar ou não o casamento homossexual.

Diante das pressões, a Câmara pode recuar e trocar a presidência da comissão?

Não há a menor possibilidade. O dia em que essa Casa recuar de um acordo por questões dessa natureza, é melhor os acordos não serem feitos. Até porque quem está protestando teve a oportunidade de pegar a comissão. Não pegou porque não quis. Teve três oportunidades de pegar. O PT teve três escolhas e não fez isso. O PC do B teve escolha antes, o PV, o PPS... Então por que agora querer estigmatizar quem pegou?

Os líderes da Câmara previam esse resultado?

O PSC não queria a Comissão de Direitos Humanos. O PSC tinha um acordo para ficar com a Comissão de Fiscalização, que está com eles há dois anos. Esse acordo foi descumprido porque o PSD escolheu na frente e escolheu comissões que desequilibraram a sequência das escolhas. Escolheu a Comissão de Trabalho, que pertencia ao PTB. Quando chegou na vez do PTB, aí o PTB deixou passar Meio Ambiente e pediu Desenvolvimento Urbano. E aí o PV, que ia pedir Direitos Humanos - estava combinado isso - ficou com Meio Ambiente. Só sobrou para o PSC Direitos Humanos e Legislação Participativa, então eles não tinham opção. Infelizmente, descumpriram o acordo com eles. Depois que a comissão ficou com eles, eles legitimamente escolheram seus membros. Não tem como a gente se meter no partido dos outros. É um direito deles e cabe a nós, dos outros partidos, zelarmos para que os acordos sejam cumpridos. O PSC não quis, não pediu e não podia, no fim, não levar.

 

E por que o PMDB também abriu mão da presidência da comissão?

Nós deixamos passar a Comissão de Fiscalização, para que o PSC pegasse, mas o PTB pegou. Eu fiquei com o Desenvolvimento Urbano e troquei com o PTB. Se tivesse conseguido, eu teria trocado a Fiscalização com o PSC, por Direitos Humanos, mas ficou comigo porque eu tinha um compromisso com o governo de que, se essa comissão não ficasse com o PSC, eu pegava. Mas eu não consegui convencer a minha bancada a ficar com Direitos Humanos. Foi uma questão de compromisso, porque a Comissão de Fiscalização essa é uma opção extremamente importante para o governo. É uma comissão onde todo tipo de problema deságua nela, e é preciso ter um controle mais rigoroso político.

 

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