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Líder do PMDB diz que partido é o 'pai' da correção do Imposto de Renda

Segundo o senador Eunício Oliveira (CE), Dilma foi avisada por ele de que governo sofreria nova derrota se não houvesse mudança em tabela

Entrevista com

João Domingos, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 15h59


BRASÍLIA - O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), diz que a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física foi negociada com a presidente Dilma Rousseff ainda na reunião de segunda-feira, quando avisou a ela que não haveria como impedir a derrubada do veto à correção de 6,5% feita pelo Congresso. Eunício avisou Dilma que o governo seria derrotado novamente e que ele não tinha como conter a revolta do PMDB. Como o governo ainda não tem líder no Senado, Eunício acabou fazendo o papel de líder informal do Planalto nas negociações.

Como foi encontrada a saída para o reajuste da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, já que a presidente Dilma Rousseff havia dito que era 4,5% ou nada?

Eu disse à presidente, na reunião dos líderes de segunda-feira, que teria grande dificuldade na bancada de aprovar a manutenção do veto presidencial sobre o Imposto de Renda.

Qual foi a reação dela?

Apresentei uma tabela escalonada. E disse que eu levaria a tabela ao PMDB e aos outros líderes. Ela concordou. Fui então à casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, mostrar o que eu tinha proposto. No dia seguinte, com a autorização da presidente, começamos a negociar uma nova tabela com o ministro Joaquim Levy (Fazenda), que foi duas vezes ao Congresso conversar com o presidente Renan Calheiros e com os líderes.

Levy concordou?

Não. Ele recebeu uma tabela pela manhã, estudou e disse que não poderia concordar com aquela proposta. Fizemos uma nova. Discussão vai e vem, fechamos uma boa negociação, que beneficiou 23 milhões de brasileiros na plenitude da correção da tabela. O índice de 6,5%, que não existia, entrou na tabela.

O Congresso dobrou a presidente e sua equipe econômica?

Diria que o Congresso foi protagonista. Os legítimos representantes da população brasileira fizeram a defesa da sociedade. Tiramos um resultado melhor dos que os 4,5% ou nada.

Ficou a impressão de que o pai da tabela é o PMDB.

Eu assegurei que o PMDB fechasse com aquela tabela, desde que retroagisse para o dia 2 de abril e não 2 de maio, como queria o governo. E na terça-feira mesmo foi feita a nova medida provisória com a nova tabela.

Como será o comportamento do PMDB na votação das medidas que mudam o seguro desemprego e a pensão por morte?

Passarão por mudanças. O presidente do Congresso tem dito que o Congresso será cada dia mais Congresso. É verdade. Quando a área econômica quiser debater, estaremos prontos. Se o PMDB não mudar, o eleitor vai mudar. O PMDB não é golpista, não está nessa história de impeachment. Mas sabe o que o eleitor quer.

Essa história de que o Congresso será cada dia mais Congresso não é uma forma de encobrir o fato de que os presidentes das duas Casas, que são do PMDB, aparecem na lista da Lava Jato?

Isso não tem nada a ver. Tem a ver com o fato de que, em junho, realizamos convenção e decidimos marchar com o PT. Mas no dia seguinte o PT, nosso principal parceiro, começou a criar candidaturas contra o PMDB pelo Brasil afora, justamente quando o PMDB já tinha entregue seu tempo de TV, sua estrutura, tudo. Ninguém se preocupou com a aliança e com a chamada coalizão. Depois da eleição veio a montagem dos ministérios e começaram a dizer que o PMDB só lutava por cargos, por ministérios. Depois, surgiu a informação de que com a ajuda do PROS dos irmãos Gomes e do PSD destruiriam o PMDB. O PMDB reagiu.

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