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Líder do PMDB cobra apoio do PT a MP do ajuste fiscal

Leonardo Picciani (RJ) afirmou que sua sigla 'tem convicção de que é necessário um ajuste fiscal para o País, mas consideramos que é fundamental que o PT tenha a mesma convicção'

Nivaldo Souza e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2015 | 17h08

Brasília - O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), cobrou nesta terça-feira, 5, o apoio "convicto" da bancada do PT a favor da aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal do governo. "O PMDB tem convicção de que é necessário um ajuste fiscal para o País, mas consideramos que é fundamental que o PT tenha a mesma convicção. Se eles (petistas) não tiverem, certamente, abalará a nossa convicção", disse.

A cobrança foi realizada pouco antes de Picciani entrar no gabinete da presidência da Câmara, onde os líderes partidários acertam a pauta de votação da semana. O principal item desta pauta será a votação, nesta tarde, da Medida Provisória 665, que altera as regras de concessão do seguro-desemprego e do abono salarial.

A provocação do líder peemedebista pode ser entendida como um recado à bancada do PT. Os petistas estão divididos sobre a MP 665 e todo o ajuste fiscal por ele mexer em benefícios trabalhistas e previdenciários. A bancada se reuniu há pouco com o ministro das Comunicações e ex-presidente do partido, Ricardo Berzoini, para fechar questão sobre a votação da medida provisória. A conversa não avançou e a reunião foi suspenda devido à uma forte divisão da bancada.


Racha. A unidade do PT na votação foi a condição imposta pelo PMDB e outros partidos da base para que a medida conte com seus votos. Não foi por acaso que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi irônico ao chegar para a reunião com líderes ao dizer queria ver "se o PT vai para a base".

A ironia coloca o ajuste fiscal em risco. Isso porque a votação será obstruída pelo DEM, PSDB, PPS e SD, que juntos somam 106 deputados. Caso o PT não feche apoio à MP 665 e o PMDB opte por votar contra a medida provisória alegando traição petista ao ajuste, o bloco de oposição pode atingir 168 parlamentares.

Como a MP passa em plenário por maioria simples do número de deputados que confirmarem presença no painel da Câmara, caso outros partidos votem contra a medida o governo pode ser derrotado. A MP divide o PSB, que atua com neutralidade em relação ao Palácio do Planalto, e pode contar também com a oposição do PDT e do PCdoB, que integram a base governista. Esses partidos somam 64 parlamentares, o que elevaria para 232 o número de deputados contrários à MP 665.

Este número é quase a metade do total de deputados (513), proporção que pode ser atingida a depender do comportamento do PMDB, que pode ser seguido por outros partidos da base.

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