Líder do PDT na Câmara diz que relação com Dilma não muda

André Figueiredo minimiza impacto do escândalo no Ministério do Trabalho, pasta comandada pelo PDT, envolvendo denúncias de desvio de verbas de convênios com entidade sem fins lucrativos

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2013 | 21h22

BRASÍLIA - O líder do PDT na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (CE), disse que o escândalo no Ministério do Trabalho envolvendo o esquema de desvio de verbas de convênios com uma entidade sem fins lucrativos não abala a relação da sigla com o governo da presidente Dilma Rousseff. Figueiredo, que é vice-presidente nacional do PDT, disse que o partido gostaria que a vaga de secretário-executivo da pasta, ocupada até essa terça-feira, 10, pelo pedetista Paulo Roberto Pinto, fosse preenchida por um técnico.

"Na eventual substituição do secretário-executivo, que seja dada por um técnico, sem vinculação partidária, indicado por algum órgão de controle", defendeu o líder. Segundo Figueiredo, em reunião da Executiva do partido na tarde desta quarta-feira, 11, foi sustentado que o novo secretário-executivo deve ajudar a montar uma equipe para "passar um pente fino" em todos os convênios. Figueiredo ratificou que nada mudará na relação com o governo. "Isso não nos motiva a deixar de acreditar no governo Dilma", afirmou.

Afagado na segunda-feira, 10, pela presidente Dilma durante a cerimônia de sanção do projeto que destina recursos dos royalties do petróleo para Educação e Saúde, Figueiredo disse que ficou impressionado com o poder da presidente de absorver sua proposta. Anteriormente, PT e a própria liderança do governo na Câmara insistiram que o projeto deveria destinar 100% dos recursos para Educação. "A presidente compreendeu na oportunidade que tivemos de apresentar o relatório e ela abraçou isso", comentou.

Postura. Figueiredo evitou criticar a postura do Palácio do Planalto diante da operação da Polícia Federal e disse que cabe à PF investigar e prender os suspeitos no caso. "A PF fez o que deveria ser feito", resumiu. O cacique pedetista disse que, diante do episódio, o partido não deve fazer exigências ao governo.

Na tribuna da Câmara, Figueiredo defendeu que "tudo seja definitivamente apurado". Ao Broadcast Político, o líder ressaltou que até agora não viu nada "que fizesse alusão" ao envolvimento efetivo do ex-secretário e que uma futura desfiliação da sigla só acontecerá quando houver "provas cabais" contra Paulo Roberto Pinto.

Reunião. Os dirigentes discutiram no encontro da Executiva do PDT a situação do partido nos Estados e chegaram à conclusão de que é preciso montar uma força-tarefa para evitar a debandada de parlamentares com a criação de novas legenda, entre elas o Partido da Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força. Na avaliação dos pedetistas, o partido deve perder cinco parlamentares para o partido de Paulinho.

Atualmente, 26 deputados compõem a bancada do PDT, mas não está descartada a entrada de novos deputados com o início da temporada de trocas partidárias. "Não queremos ficar com ninguém no partido que não seja verdadeiramente pedetista", disse Figueiredo.

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