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Aliada de Cunha e evangélico disputam vaga no TCU

PL e Republicanos querem apoio do presidente da Câmara, mas Arthur Lira avisa que decisão fica para outubro

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2022 | 10h58

BRASÍLIA - A ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes vai se aposentar em julho, e a Câmara, a quem cabe definir a vaga, se movimenta para a substituição. Ministros da Corte gostariam que o posto fosse preenchido por uma mulher, escolhida por seus próprios méritos. Até agora, o TCU teve apenas duas ministras em sua composição: Ana Arraes e Elvia Castelo Branco. O cenário mais provável é que haja uma disputa similar à que houve no Senado, no final de 2021.

Assim como ocorreu com os senadores, a base governista está dividida na Câmara. O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e o Republicanos reivindicam o apoio do presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), mas ele quer adiar a definição e já avisou que vai pautar a indicação somente depois de outubro, após a eleição presidencial, e já no embalo de sua própria campanha de reeleição para o comando da Casa.

Uma das principais postulantes é a deputada Soraya Santos (PL-RJ), que usa o argumento de que o TCU tem de manter a representação feminina – Arraes, atualmente, é a única ministra. Pesa contra ela, no entanto, a ligação com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e a aversão de parte dos ministros da Corte de Contas.

Outro interessado no posto, Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR) tem tentado usar a força da bancada evangélica para ser eleito, mas ainda não teve a confirmação do apoio de Lira. No momento, a disputa está polarizada entre Soraya e Jhonatan, mas também correm por fora Hugo Leal (PSD-RJ), que foi relator do orçamento de 2022, Fábio Ramalho (MDB-MG) e Luiz Tibé (Avante-MG).

Soraya foi ungida candidata do PL em outubro do ano passado, quando o presidente da legenda do Centrão, Valdemar Costa Neto, promoveu um churrasco com integrantes do partido. A deputada foi primeira-secretária da Câmara de 2019 a 2020,  durante a última gestão de Rodrigo Maia (Sem partido-RJ) na presidência da Casa. O cargo é importante porque é uma espécie de "prefeitura" da Câmara, que organiza as finanças da Câmara. Seu marido é o ex-deputado Alexandre Santos (MDB-RJ), um dos integrantes da extinta tropa de choque de Cunha.

De 2005 a 2008, Alexandre chegou a empregar Edna Cunha, irmã do ex-presidente da Câmara, em seu gabinete. Uma ala do TCU vê com preocupação a indicação da parlamentar. O temor recai justamente sobre o histórico do marido e sua eventual influência sobre ela.

Do outro lado, o Republicanos reivindica um acordo que teria sido firmado com Lira em 2021, quando ele foi eleito para comandar a Casa. A desistência do deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos, de concorrer à presidência da Câmara e apoiar Lira, teria sido feita sob o compromisso de ter como contrapartida apoio para a legenda indicar o novo ministro do TCU.

Jhonatan de Jesus tem procurado deputados e presidentes de partidos desde o ano passado em busca de aliados para ser escolhido. Em nota divulgada em dezembro, Pereira disse que o deputado "dialoga bem com todos, tem boa articulação e está preparado para o cargo".

O PL também tenta o apoio de Lira, mas ele ainda não deu sinais de qual parlamentar terá seu endosso. Com o objetivo de não precisar tentar a reeleição, parte das bancadas quer definir a vaga no TCU o quanto antes, mas o chefe da Câmara mantém a ideia de deixar para depois de outubro. No Republicanos, essa demora é vista com contrariedade e a cúpula do partido quer chegar nas eleições gerais já com uma definição.

Outros parlamentares, no entanto, não têm objeção quanto a adiar a data. "Para mim é indiferente. Serei candidato à reeleição", disse Hugo Leal ao Estadão, que também confirmou que será o candidato do PSD à vaga. O político, que relatou o orçamento de 2022, foi um dos principais operadores do orçamento secreto, prática revelada pelo Estadão. Por meio do esquema, o governo federal compra apoio político no Congresso por meio das emendas de relator. Luis Tibé também disse que a data é algo "indiferente". 

A deputada Soraya Santos foi procurada pela reportagem e não quis se pronunciar.

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