Líder do MST é indiciado por incitação à violência

Tiroteio no sul do Pará entre sem-terra e empregados de fazenda invadida deixou 8 feridos

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST) no sul do Pará, Charles Trocate, foi indiciado em inquérito aberto pela Polícia Civil, acusado de incitação à prática de violência antes do confronto armado na fazenda Castanhais, do complexo Espírito Santo, no sábado retrasado. O confronto resultou em oito feridos, durante tiroteio entre seguranças da propriedade e integrantes do MST. Ele será intimado a depor na segunda-feira e pode ser enquadrado no artigo 286 do Código Penal, que prevê pena de três a seis meses de prisão por incitação a crime. Em entrevista à TV RBA, afiliada da Rede Bandeirantes no Pará, na sexta-feira, 17, véspera do tiroteio, Trocate teria afirmado ser favorável não apenas à invasão de propriedades privadas, como acrescentando que na fazenda invadida não sobraria nem o suficiente para a produção de remédio. Ele nega.O chefe da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, disse que o líder do MST está sendo procurado na região para receber a notificação de depoimento. "Não importa, para a Justiça, se ele incitou à violência antes ou depois do confronto. O que importa é que ele cometeu um crime", declarou o delegado. Benassuly acrescentou que o governo estadual "não tolera a violência", sobretudo num momento em que está investindo pesadamente em segurança para "manter a paz no campo". Trocate negou ao Estado ter convocado trabalhadores rurais para invadir terras ou fazer justiça com as próprias mãos. O que houve, segundo explicou, foi uma "deturpação" de suas palavras na entrevista à emissora de televisão. "O que eu disse foi que, independente do MST, da Fetagri ou de outros movimentos sociais, a população sem terra vai tomar partido em favor da reforma agrária e que se a crise aumentar, como está aumentando, haverá no sul do Pará um mutirão de ocupações". Para Trocate, "é estranho o comportamento do delegado Benassuly", porque o MST esteve reunido com o chefe da Casa Civil do governo estadual, Cláudio Puty, com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Dário Texeira, e com o próprio Benassuly, "mostrando que os fazendeiros estavam com milícias armadas em fazendas na região, ameaçando os trabalhadores". Ele também acha "esquisito" seu indiciamento, alegando que os seguranças da Agropecuária Santa Bárbara, que feriram oito sem-terra, continuam impunes. ECLUSASO Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) informou que está mantida "por tempo indeterminado" a ocupação do canteiro de obras das eclusas do rio Tocantins, ao lado da hidrelétrica de Tucuruí. FRASESRaimundo BenassulyChefe da Polícia Civil?Ele cometeu um crime?Charles TrocateLíder do MST"O que eu disse foi que, independente do MST, da Fetagri ou de outros movimentos sociais, a população sem terra vai tomar partido em favor da reforma agrária e que, se a crise aumentar, haverá no sul do Pará um mutirão de ocupações"

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