Joédson Alves|EFE
Joédson Alves|EFE

Líder do MDB na Câmara elogia Meirelles e cogita ministro como candidato

Baleia Rossi diz que apenas tentativa de Michel Temer se reeleger atrapalharia ministro da Fazenda como candidato governista

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

01 Março 2018 | 20h52

O líder do MDB na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (SP), disse nesta quinta-feira, 1.º, que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, poderá ser o candidato do partido na eleição para a Presidência da República. Dois dias depois de se reunir com Meirelles e não dar muitas esperanças ao comandante da economia, Baleia adotou um discurso mais otimista.

"Seria uma honra filiar Henrique Meirelles no MDB. Acho que ele tem todas as condições de aglutinar os partidos de centro para disputar o Palácio do Planalto", afirmou Baleia, que é presidente do MDB de São Paulo. Para o deputado, a única questão que pode inviabilizar a candidatura de Meirelles é se o presidente Michel Temer quiser concorrer a um segundo mandato.

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"A nossa ideia é ter um candidato que defenda a agenda do governo. Se não for Michel, acho que Meirelles reúne essas qualidades e tem tudo para representar esse projeto", argumentou o líder da bancada emedebista, em entrevista ao Estado. Meirelles é filiado ao PSD, chefiado pelo ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, mas avalia a possibilidade de migrar para o MDB. Kassab se comprometeu a apoiar o prefeito João Doria (PSDB) ao governo paulista e já acertou a vaga de vice na chapa. Em troca, o PSD avalizará a candidatura do governador tucano Geraldo Alckmin à Presidência.

"O ministro Meirelles reúne excelentes qualidades para ser um grande presidente da República. Mas, em relação à candidatura, é preciso ver as circunstâncias políticas, que independem das suas qualidades", disse Kassab ao Estado. Se decidir disputar a eleição, o titular da Fazenda terá de deixar o cargo até 7 de abril, mesmo prazo estabelecido pela lei para mudança de partido.

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O namoro entre o PSD e o PSDB fez com que Meirelles começasse a avaliar sua filiação ao MDB, dono do maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito, que começará em agosto. Líder do governo no Senado, o presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá (RR), passou a defender a candidatura de Meirelles, mas, no Planalto, auxiliares de Temer acreditam que o próprio presidente pode entrar no páreo, apesar de sua alta impopularidade.

No diagnóstico do núcleo político do governo, Temer conseguirá melhorar sua imagem com as recentes medidas tomadas para combater a violência, incluindo a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Mesmo no MDB, no entanto, há dúvidas sobre o efeito dessa iniciativa sobre a campanha e resistências ao lançamento de Temer.

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Uma recente pesquisa encomendada pelo Planalto ao Ibope mostrou que 64% dos entrevistados aprovam a criação do Ministério da Segurança Pública e 28% são contra. A intervenção no Rio, por sua vez, tem o aval de 84% das pessoas. Mesmo assim, 93% se dizem insatisfeitos com o governo federal. Dos consultados, 65% consideram o desempenho da administração Temer "ruim ou péssimo" e 28%, "regular". O índice de "ótimo e bom" ficou em 7%.

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