Líder do governo vê ato político em ação do MST

O líder do governo no Senado, Artur da Távola (PSDB-RJ), condenou hoje a invasão da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique por integrantes do MST, afirmando ter sido um ato político para ?atingir a figura e a autoridade do presidente?. ?Se o presidente deixa passivamente sua casa ser invadida ele está dando à Nação a idéia de que a desordem se implanta neste País?, afirmou o senador, em discurso no plenário. Segundo ele, o programa de reforma agrária já assentou 600 mil famílias no Brasil. O MST diz que os assentamentos não chegam a 300 mil famílias.Ressaltando o componente político-eleitoral da invasão, o líder governista chamou a atenção para o fato de a fazenda ser produtiva. ?Qualquer pessoa que vive em insegurança no País por conta da violência, sente-se ainda mais desprotegida com a invasão da casa do presidente da República?, disse o senador.AparteEm aparte, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), o único oposicionista presente, condenou a invasão, mas questionou que o acordo entre trabalhadores do MST e os dois funcionários do Incra que conduziram as negociações, teria sido descumprido tanto que ambos pediram demissão em protesto contra as prisões.?Não acredito que o ministro da Justiça, Aloysio Nunes, e o ministro-chefe da Secretaria Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, tenham admitido qualquer acordo ao arrepio da lei", destacou o líder do governo. "Não houve violência, houve energia. Não há uma só pessoa machucada?.ExplicaçõesO senador Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou a presença do PT no plenário para dar explicações sobre a invasão da fazenda. ?O PT perdeu. Ficou muito mal para o MST e ficou mal para o PT?, disse Simon. No entanto, ele não restringiu as críticas ao MST e ao PT. ?Mas, cá entre nós, o governo também perdeu. Onde é que está escrito que terra de filho do presidente é patrimônio público??, perguntou Simon, questionando se a fazenda é ou não de Fernando Henrique.Exibindo fotos dos jornais em que os trabalhadores aparecem detidos, algemados e com a cabeça virada para o chão, o senador foi enfático: ?Eu dedico esta fotografia ao general Alberto Cardoso e ao Ministro Aloysio Nunes?. Na avaliação de Simon, o general Cardoso ?mostrou incompetência já que é o principal responsável pelo setor?. ?Ele deve ser responsabilizado, pois não cuidou de um setor que é da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)?, disse.ErroO senador afirmou que muita gente viu os sem-terra se deslocarem do centro de Buritis, que fica cerca de 60 quilômetros da fazenda, menos os funcionários da Abin, comandada pelo general. ?Muita gente viu, mas eles não viram nada. Errou o ministro da Justiça e errou o general Cardoso?, afirmou o peemedebista.Para ele, a demissão dos funcionários do Incra em protesto contra a prisão dos trabalhadores e as fotos dos sem-terra presos terão repercussão negativa nos organismos de direitos humanos.?Violação dos direitos humanos é o que eles (sem-terra) fizeram?, respondeu o líder do governo.

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