Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Líder do governo relativiza impacto das manifestações, mas diz que PT 'está sofrendo'

Deputado José Guimarães (PT-CE) afirmou que protestos foram 'supervalorizados' pela imprensa, mas admitiu que governo precisa fazer mudanças

DANIEL CARVALHO E PEDRO VENCESLAU, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 20h09

Brasília - O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), relativizou nesta segunda-feira, 16, o impacto das manifestações em todo o País, mas afirmou que vai procurar a oposição para tentar um "pacto" que sane a crise que vive o Palácio do Planalto. Apesar de dizer que houve uma "supervalorização" dos protestos por parte da mídia, ele admitiu que o governo e o PT precisam de mudanças e que o partido "está sofrendo".

Guimarães culpou a imprensa pelo que considerou uma "supervalorização" dos protestos de domingo. "Evidentemente que houve uma supervalorização, para além daquilo que a democracia permite. Não houve o mesmo tratamento das (manifestações) de sexta, 13 e as de ontem, 15. As televisões em geral, setores da mídia não deram o mesmo peso e a mesma dimensão", disse em relação às manifestações favoráveis ao governo que entidades como CUT, UNE e MST promoveram na última sexta-feira, 13.

Apesar desse posicionamento, o líder do governo reconheceu que o governo precisa fazer mudanças para atender às manifestações e dividiu a responsabilidade com o Congresso. "(As ruas) querem mudança e o governo tem que fazer mudança na economia e na política. Por isso que o tema da reforma política e o combate à corrupção têm que ser sem tréguas. Ou nós fazemos isso ou as ruas nos engolem. Precisamos agir, ter uma centralidade política na reforma política e nas medidas que vão ser anunciadas", disse Guimarães.

Agora, além de continuar na tentativa de reunificar a base governista no Congresso, Guimarães vai tentar dialogar com a oposição para tentar garantir que as promessas antigas refeitas pela presidente Dilma - reforma política e pacote anticorrupção- entrem na pauta do Legislativo.

"Essa luta fratricida não é boa para o País. Temos que dialogar com a oposição", afirmou. "Não acredito que a oposição queira quebrar o país", afirmou. "É necessário construir pontes entre oposição e situação", disse Guimarães. "Esse jogo do mata-mata no Congresso não interessa à democracia nem a ninguém. Vamos construir as pontes com todos. Primeiro, a base tem que estar coesa. Segundo, temos que dialogar com a oposição", afirmou.

Nesta terça-feira, 17, líderes da base reúnem-se com o vice-presidente da República, Michel Temer, no Palácio do Jaburu. A reunião já havia sido marcada antes das manifestações.

A oposição negou que haja clima para esse diálogo. "Seria ir na contramão das manifestações populares", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Não há clima para dialogar com o governo, especialmente depois daquele discurso da Dilma em cadeia nacional. Eles estão no mundo da lua", afirmou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Sangrando. Diante da crise vivida pelo partido e que tende a se agravar com a prisão do ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobrás Renato Duque e com o oferecimento de denúncia por parte do Ministério Público Federal contra ele e contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Guimarães defendeu mudanças também no partido.

"Evidentemente que o PT está sofrendo. Temos que recompor isso tudo fazendo mudanças internas no PT", afirmou Guimarães, que já havia dito mais cedo, em entrevista ao jornal cearense "O Povo", que "o PT está sangrando".

No entanto, ele diz que a situação do PT já vinha complicada antes mesmo dos acontecimentos desta segunda-feira . "Isso é um quadro que já estava dado", afirmou. Guimarães citou, entre as reformas, a construção de "nova relação com os movimentos sociais, que nos afastamos e agora que estamos retomando".

"O PT de hoje não é o PT e nem o Brasil de ontem. Quando PT foi fundado, o País era um e hoje o País é outro. O PT tem que fazer uma atualização programática dos seus ideais", afirmou.

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