Líder do governo reage a declarações e diz que Ciro age com imaturidade

Deputado do PSB diz que presidente está navegando na 'maionese' e prevê vitória de Serra; Lula diz estar 'mudo'

Tania Monteiro e Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 13h38

BRASÍLIA - As declarações do deputado federal Ciro Gomes (PSB), que em entrevista ao portal IG previu uma vitória da oposição nas eleições presidenciais de outubro, irritaram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora Lula tenha preferido não comentar, foi o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), quem respondeu às críticas de Ciro. Para Jucá, foi imatura a reação do deputado em relação à iminente decisão do PSB de inviabilizar sua candidatura presidencial.

 

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"Ele virou uma metralhadora giratória e atirou para todos os lados. Está agindo com imaturidade. Eu lamento as declarações dele, especialmente porque o deputado é uma pessoa que pode ajudar muito o País e não está contribuindo, não está ajudando", disse nesta sexta-feira, 23, ao Estado.

 

Na entrevista ao IG, Ciro afirma que o presidente Lula está "navegando na maionese" ao defender de maneira desmedida a candidatura de Dilma à presidência da República. E prevê uma vitória do pré-candidato tucano, José Serra: "Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz inclusive de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos."

 

Um dos alvos de Ciro, Lula preferiu não se comentar. Ao comparecer à posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, na tarde desta sexta-feira, o presidente foi questionado sobre a polêmica, mas preferiu o silêncio. "Estou mudo", disse. Mais cedo, coube ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, expressar a posição do Planalto. Ele lembrou que existe um processo interno no PSB para discutir a posição do partido, em relação às eleições presidenciais, que será definido na próxima terça-feira, na reunião da Executiva Nacional. "Nós, do governo federal, vamos respeitar esse processo que está em curso. Mas esperamos que como sempre estivemos juntos, continuemos juntos", afirmou.

 

Jucá, por sua vez, afirmou que é natural que o comando do PSB faça a opção por apoiar a candidatura presidencial da petista Dilma Rousseff, em vez de bancar a candidatura de Ciro. E lembrou que o projeto governista de eleger o sucessor de Lula é fundamental para todos os partidos de sua base de apoio. "Chegou um momento da campanha em que não dá para piscar mais e ao PSB era importante definir o apoio para Dilma. Esse projeto de dar sequência ao trabalho do governo do presidente Lula é maior do que qualquer pessoa. Maior do que o deputado Ciro Gomes", criticou.

 

Serra x Dilma

 

Sobre a comparação feita por Ciro, na entrevista, de que o candidato da oposição está mais preparado para uma possível crise fiscal e cambial, nos próximos dois anos, Padilha afirmou: "Eu acho que a comparação entre Dilma e Serra vai ser feita pela população brasileira".

 

O ministro lembrou que "a grande maioria da base aliada já tem demonstrado, ou formalmente ou por intermédio de seus líderes a vontade de estar junto com a ministra Dilma na sua pré-candidatura. "Esta foi a expressão, na última segunda-feira, na reunião de todos os lideres (dos partidos aliados) na Câmara, quando a maior parte dos presentes, independente da decisão tomada pelos partidos, disse que quer apoiar Dilma", afirmou o ministro.

 

Jucá acha que Ciro foi injusto com o PMDB ao dizer que a aliança com o PT em torno de Dilma não será capaz de ajudar a enfrentar uma nova turbulência econômica. "Não concordo com essas críticas. O PMDB tem sido importantíssimo para a governabilidade do País. Tem sido assim sempre porque o partido sabe da sua responsabilidade com o Brasil. O partido tem garantido no Congresso a aprovação de propostas apresentadas pelo governo que evitaram, por exemplo, efeitos negativos sobre o País por conta da crise econômica que aconteceu no mundo em 2009. Ele foi intempestivo e deu declarações desnecessárias", disse.

 

Reportagem atualizada às 16h47 para acréscimo de informações

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