DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Líder do governo no Senado propõe manifesto em defesa do isolamento social

Na contramão de Bolsonaro, Fernando Bezerra pede que Casa divulgue texto que recomende a quarentena como forma de combate ao coronavírus

Daniel Weterman e Emilly Benhke, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 17h51

BRASÍLIA – O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), propôs que a Casa divulgasse um manifesto em defesa do isolamento social para evitar a propagação do coronavírus. Na contramão do que tem defendido o presidente Jair Bolsonaro, a recomendação à população feita pelos senadores é clara: ficar em casa. O comunicado foi lido na sessão virtual realizada nesta segunda-feira, 30.

O documento é um contraponto a Bolsonaro, que criticou a quarentena e saiu às ruas contrariando orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O Senado Federal se manifesta de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde e apoia o isolamento social no Brasil, ao mesmo tempo em que pede ao povo que cumpra as medidas ficando em casa”, diz o manifesto.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), está entre as lideranças contaminadas e segue isolado e afastado.

De acordo com o presidente em exercício da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG) houve concordância dos líderes dos partidos em relação ao conteúdo. “O manifesto é a favor do isolamento”, afirmou Anastasia.

O texto reforça o isolamento social como a medida mais eficaz no combate à covid-19 e cita exemplos de outros países onde a estratégia foi eficaz. “Somente o isolamento social, mantidas as atividades essenciais, poderá promover o ‘achatamento da curva’ de contágio, possibilitando que a estrutura de saúde possa atender ao maior número possível de enfermos, salvando assim milhões de vida, conforme apontam os estudos sobre o tema.”

Ao criticar o isolamento horizontal – para todas as pessoas –, Bolsonaro tem reforçado o discurso de que o impacto para a economia pode ser devastador e causar perdas até maiores do que a própria doença. O manifesto do Senado, por outro lado, reforma que o Estado deve apoiar as pessoas vulneráveis, os empreendedores e segmentos sociais atingidos economicamente pelos efeitos do isolamento.

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