André Dusek|Estadão
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Líder do governo na Câmara defende que a Casa não paralise trabalhos em função da operação da PF

Segundo José Guimarães, há clima para fazer votações no plenário antes da sessão do Congresso Nacional; governo quer votar Medidas Provisórias 690 e 692, além da Proposta de Emenda à Constituição 74, a chamada PEC dos Precatórios

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 17h04

BRASÍLIA - O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), defendeu nesta terça-feira, 15, que a Casa não paralise seus trabalhos em função dos mandados de busca e apreensão nos endereços do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O petista disse que há clima para fazer votações no plenário antes da sessão do Congresso Nacional.

"A Câmara não pode ficar parada por conta dessas crises todas", pregou. Guimarães relatou que a reunião de colégio de líderes com Cunha nesta tarde foi tranquila e que o governo quer votar as Medidas Provisórias 690 e 692, além da Proposta de Emenda à Constituição 74, a chamada PEC dos Precatórios. A oposição concorda apenas com a votação da PEC.

De acordo com Guimarães, as buscas e apreensões não foram comentadas na reunião de líderes. O clima do encontro, disse Guimarães, foi de normalidade. "É um fato absolutamente normal, é a prova que as instituições funcionam", afirmou.

O petista disse que o governo não interferiu e não vai interferir nas ações da Polícia Federal. Ele discorda da tese de que o PMDB se afastará ainda mais do governo após os mandados de busca e apreensão. "A operação não é para atingir um partido", rebateu Guimarães.

Oposição. Líderes de oposição que vinham obstruindo as reuniões com Cunha mandaram representantes para o encontro desta tarde. Na avaliação do líder da minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE), a operação policial desta manhã deve aumentar a instabilidade dentro do PMDB e na relação com o governo. "Quanto mais instabilidade, pior para o governo", concluiu.

Araújo avalia que a maioria dos peemedebistas envolvidos na operação de hoje era a parte do PMDB que segurava a relação com o governo. Em sua opinião, se a convenção do partido fosse hoje, certamente os peemedebistas votariam pelo rompimento com o governo Dilma Rousseff. "Se marcar a convenção, o resultado será o conhecido", comentou.

O tucano disse que a ação policial de hoje mostra que o Congresso não é "indevassável". "Está virando rotina (operações da PF) e deixa cada vez mais contaminado o ambiente da relação com a sociedade", destacou

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