Líder do governo defende Lula e desqualifica Valério

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), saiu nesta terça-feira (11) em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao depoimento prestado pelo empresário Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República e publicado com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em pronunciamento na tribuna da Casa, Braga chamou de "absolutamente infundadas" e "sem nenhuma prova" as acusações feitas por Valério ao Ministério Público Federal contra o ex-presidente. Ele classificou o empresário de "condenado a 40 anos de prisão" no julgamento do mensalão e que não dispõe de "nenhuma credibilidade".

RICARDO BRITO, Agência Estado

11 de dezembro de 2012 | 19h46

No depoimento, Valério afirmou que recursos do mensalão custearam despesas pessoais de Lula e que o ex-presidente deu o aval para que os bancos Rural e BMG tomassem os empréstimos que abasteceram o esquema de compra de apoio político no Congresso.

O governista disse que as acusações ocorrem no momento em que Lula faz um "importante" giro na comunidade europeia, que passa por uma grave crise econômica, para mostrar os avanços do Brasil na área da justiça social. Braga disse que o Estado Democrático de Direito e as instituições brasileiras têm dado mostras de que o País está "maduro para fazer as investigações" no combate à corrupção. Mas Braga questionou o "ataque às imagens das pessoas, a fazer com que todo o legado de uma história política e de uma atuação seja diminuída por uma ação coordenada de destruição" feita por Valério, numa tentativa de desqualificar o acusador.

"Portanto, com a firmeza com que sempre me postei ao longo da minha vida, quero aqui prestar a minha solidariedade e o meu desagravo a estas acusações absolutamente infundadas, sem provas, sem nenhuma prova sequer apresentada contra a imagem, a reputação e a conduta de um brasileiro que, ao chegar à Presidência da República, fez justiça ao povo mais humilde, ao povo excluído e fez com que o Brasil pudesse entrar em ritmo de crescimento e desenvolvimento humano como ainda não havia acontecido em nosso País", afirmou no discurso.

Pouco depois, em entrevista à reportagem, Braga disse (ressaltando que falava como senador e não como líder do governo) que não deve ser levado em consideração o depoimento de Valério ao MPF. Ele criticou a iniciativa dos líderes do PSDB e do Democratas que apresentaram nesta terça-feira requerimento de convite do empresário para depor à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. "Qual a credibilidade que uma pessoa condenada a 40 anos de prisão tem para falar de um ex-presidente da República, que deixou o cargo com recordes de aprovação?", questionou.

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